

Por Gabriel de Sousa e Naomi Matsui, do Estadão Conteúdo
SÃO PAULO – O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, declarou nesta sexta-feira (16) em entrevista à Rede Globo, que não vai alterar a emenda constitucional que acaba com a jornada de trabalho 6×1.
Flávio, que até última hora foi opositor da proposta, que é uma bandeira do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), declarou que votou favoravelmente na quarta-feira (14) por “ouvir a vontade da maioria dos trabalhadores brasileiros”.
“Não vou. Todos os direitos trabalhistas estão garantidos. Todas as leis trabalhistas estão garantidas. Cada um pode ter sua opinião individual, mas, da minha parte, isso aqui está respeitado. Foi uma decisão do Congresso Nacional, então, da minha parte, nenhum questionamento em relação a isso”, disse Flávio.
O senador disse também que sempre defendeu que os trabalhadores pudessem montar a escala de trabalho por horas, assim como nos Estados Unidos.
“Sempre defendi mais liberdade para que os trabalhadores pudessem, inclusive, montar a sua própria jornada de trabalho”, disse o candidato do PL à Presidência.
STF
Sobre a destituição de ministros do STF defendida por ele, Flávio Bolsonaro afirmou que todos os ministros “devem estar abaixo da lei” ao comentar as denúncias que envolvem a relação do ministro Kassio Nunes Marques com o banqueiro do Master, Daniel Vorcaro.
“Todo mundo tem que estar abaixo da lei. O problema do Brasil é achar que estão acima da lei, a lei tem que valer para todo mundo”, afirmou.
De acordo com o candidato do PL, qualquer ministro que infringir a legislação brasileira deve ser submetido a um processo de impeachment pelo Senado. Flávio, porém, evitou tocar no assunto da relação financeira entre Vorcaro e ministros, insistindo no ponto de “atuação político-partidária dos magistrados”.
“Não dá para admitir um ministro do Supremo tendo uma atuação político-partidária. Então, qualquer ministro do Supremo que infrinja a lei tem que responder por isso”, declarou.
Mensagens obtidas pela Polícia Federal demonstram que Nunes Marques teria tido suposto benefício pessoal na relação com Vorcaro. Um dos principais pontos aponta um pagamento de R$ 500 mil mensais ao filho do ministro, o advogado Kevin Marques. Há suspeitas também de decisões favoráveis ao banco em julgamentos do STF.
Nunes Marques é um dos dois ministros do STF indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ao lado de André Mendonça. A posse dele foi em 2020.
Flávio tem como uma das bandeiras principais o impeachment de ministros do STF e acusa o Judiciário de promover censura e perseguição a nomes da direita, incluindo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo ele, é preciso proteger a Corte de “laranjas podres”.
O presidenciável defende o “impeachment imediato” do ministro Alexandre de Moraes, a quem acusa de ter atuado como advogado do banqueiro Daniel Vorcaro e de ter cometido crimes como obstrução, interferência de investigação, venda de proteção e formação de quadrilha. Ele também é crítico dos magistrados Flávio Dino e Dias Toffoli.
Em agosto, Flávio afirmou que, se eleito, pretende manter uma “relação positiva e institucional” com o STF e que só vai querer “paz para governar”. “Sempre quis construir ponte, sempre tentei fazer isso. Só quero paz para governar. Vou indicar quatro homens e mulheres que sejam contra o aborto, contra as drogas, respeitem a Constituição e que não usem a caneta para promover perseguição por risco”, declarou, durante um evento em Minas Gerais.
Reeleição
Flávio Bolsonaro declarou que não apoiaria uma mudança na Constituição que abrisse brechas para que parentes diretos do presidente da República o sucedam. “É como está na regra que vale, parentes até o terceiro grau também são considerados uma reeleição”, disse.
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) explora a narrativa de que, caso Flávio seja eleito, o candidato da direita em 2030 seria o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Jair está inelegível e, além disso, condenado e preso desde agosto do ano passado por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
Panelaço
A entrevista do candidato à TV Glob foi acompanhada por panelaços em diversas cidades do país. Os atos foram convocados pelas redes sociais e impulsionados pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que tem colaborado com a estratégia digital do presidente Lula da Silva (PT).
Na cidade de São Paulo, há relatos de manifestações nos seguintes bairros: Barra Funda, Butantã, Ipiranga, Jabaquara, Paraíso, Perdizes, Pinheiros, Pompeia, República, Saúde, Vila Andrade, Vila Madalena, Vila Mariana e Vila Sônia. Há atos também nas cidades de Santos e São José dos Campos.
No Rio de Janeiro, os atos ocorreram no Andaraí, Botafogo, Flamengo, Laranjeiras, Recreio dos Bandeirantes, Santa Teresa e Tijuca.
Em Brasília, houve manifestações na Asa Norte. Em Belo Horizonte, no Centro e no Caiçara. Em Salvador, em Amaralina, Barra, Caminho das Árvores, Pituba e Rio Vermelho.
