
Por Murilo Rodrigues, do ATUAL
MANAUS – O conselheiro Ari Moutinho, do TCE (Tribunal de Contas do Amazonas), classificou as gestões da Seduc (Secretaria de Educação do Amazonas) dos últimos oito anos como “quadrilhas”. A firmação ocorreu na 32ª sessão Ordinária do TCE, nesta terça-feira (6).
“Fico imaginando os assaltantes da Seduc, os crápulas que por lá passaram, os últimos secretários, não têm um mínimo de remorso. Não tem um minuto de lucidez em pensar que a conta que eles deixaram para pagar, esses farsantes, crápulas, eu não tenho nem como qualificá-los pior. Os ladrões do futuro das crianças amazonenses não sentem minimamente a responsabilidade”, afirmou.
Ele não citou nomes, mas o conselheiro Luís Fabian Pereira Barbosa foi secretário de educação de 2019 a 2021 após Luiz Castro deixar o cargo.
Ari Moutinho Júnior disse que o resultado do primeiro turno das eleições, domingo (4), foi um “basta” do eleitor. “Eu acho que essa foi a eleição mais calada da história do Estado. O povo manifestou que não ia mais se submeter a gracejos, a danças, a deboches, a homologação do que quadrilhas fizeram no Estado nos últimos oito anos”.
Moutinho Júnior disse que fica feliz “em ver que as duas pessoas que passaram ao segundo turno, senador Omar Aziz e a professora Maria do Carmo, não fazem parte dessas verdadeiras organizações criminosas que estiveram à frente do Estado nos últimos anos”.
O conselheiro citou que votou em uma escola em que as condições são péssimas. “No dia da eleição eu voto em uma escola do (bairro) Nova Esperança. A escola é um verdadeiro lixo, um sofrimento, sem ar-condicionado. Eu passei uma hora e meia esperando para votar”.

Ari Moutinho cobrou a presidência do TCE para que investigue os contratos da Seduc. O TCE-AM é presidido pela conselheira Yara Lins. “Falando isso, senhora presidente, eu gostaria de fazer uma uma mea-culpa de todos nós do Tribunal de Contas. O povo deu também um recado muito forte ao Judiciário. Não existem intocáveis”.
“E eu quero, senhora presidente, pedir, solicitar, se necessário for, implorar para que este Tribunal de Contas avance, e avance muito rápido, para que nós não tenhamos tão somente a mudança para melhor. Temos que combater e buscar os assaltos da Seduc”, disse o conselheiro.
Ari Moutinho defendeu que os ex-secretários de Educação sejam presos. “Temos que prender as pessoas que por lá passaram. Temos que avaliar contrato por contrato, a que eu denunciei e não me tem resposta por parte do auditor Mário Filho de como está esse processo. Temos que prender, conselheiro Érico. Isso é pedagógico, isso é didático”.
“Isso aí é virar página por página e ver crianças que morreram com fome, crianças que não conseguem chegar até à mínima noção das habilidades básicas de matemática, não conseguem interpretar um texto. E são amazonenses como nós, senhores. São pessoas que sofrem e não têm a quem gritar”, criticou.

Ari Moutinho citou também as organizações sociais de saúde que foram contratadas, segundo ele, “para o Amazonas assaltar”. Ele parabenizou a população por tirar o grupo político do poder.
“Não só a educação — a educação foi um assalto que foi comprovado e tem que ser, na fase agora, de finalização de prisões. Agora, a saúde, aquelas OSs, aquilo é um verdadeiro escárnio, denunciadas em Goiás e vieram para o Amazonas assaltar, fortalecer a fila da morte do Sisreg, e a bom dançar e debochar da cara da população. E a população altiva, digna, deu a resposta em silêncio. Então, parabéns a todos os amazonenses que se rebelaram contra todas essas quadrilhas que assaltaram o Estado do Amazonas pelos últimos oito anos”, disse o conselheiro.

Ari Moutinho disse que o governo era parceiro do crime organizado. “Quadrilhas, senhora secretária, que fazem parceria com o crime organizado, e estão aí as operações na Secretaria de Segurança. Virou tudo natural, ninguém mais se revolta com os absurdos”.
“Os assaltos, senhora presidente, que nós vemos é, de forma geral, aquela secretaria paralela de obras — eu esqueço até o nome —, que ainda teve representantes querendo se eleger deputados estaduais, foram execrados pelo povo. A famosa ‘secretaria do vento’. Passou bilhões lá, conselheiro Érico, e nada ficou de pé. E nada ficou de pé”, acrescentou.
Ari Moutinho finalizou o discurso pedindo que o Tribunal investigue os possíveis crimes para dar uma resposta a sociedade e que os culpados sejam presos pelo sofrimento e abandono do estado.
“Então, entendo eu que, aos 76 anos do Tribunal, o que eu peço é que o Tribunal saia fortalecido, que o Tribunal ouça o grito da população. Vamos revisar, senhora presidente: saúde, educação, segurança, o Estado como um todo, virarmos de cabeça para baixo e darmos para a população minimamente o retorno de valores alcançados e locupletados, e a prisão dos seus grandes culpados por esse estado de sofrimento e abandono, que terá a necessidade de muito tempo, muita boa vontade e competência para trazer ao Estado minimamente uma posição de dignidade”, finalizou.
