

Por Felipe Campinas, do ATUAL
MANAUS — O personal trainer Igson de Farias Pinto, de 39 anos, foi preso em flagrante na noite deste sábado (3), em Manaus, transportando R$ 70,8 mil em notas de R$ 100 e R$ 50, santinhos de dois candidatos, além de listas com nomes e números de telefone.
Os policiais militares encontraram com ele materiais de campanha dos candidatos a deputado estadual Dr. Eduardo Assis (Avante) e Adail Filho (MDB).
Um estudante de 22 anos também estava no veículo e foi detido pelos agentes. Ele foi liberado posteriormente por não haver indícios de que tenha contribuído para as condutas investigadas. Igson disse que apenas deu carona ao rapaz.
De acordo com relatório da PF (Polícia Federal), os militares faziam patrulhamento no bairro São Jorge, na zona oeste de Manaus, quando suspeitaram de um carro que havia saído de uma casa na Avenida Brasil. O veículo era conduzido por Igson.
Durante a abordagem, os policiais encontraram pacotes de dinheiro, materiais de campanha, cadastros com nomes, contatos e dados pessoais, além de envelopes identificados com nomes e contendo parcelas de dinheiro já separadas. O personal e o estudante foram levados para a sede da PF.
O celular de Igson foi apreendido. Neste domingo (4), o delegado de Polícia Federal Erasmo Soares da Silva pediu a quebra do sigilo dos dados do aparelho.
Para a PF, os elementos reunidos indicam que o dinheiro seria destinado à distribuição de vantagens com o objetivo de obter votos.
“Essa conclusão decorre da relação entre os objetos apreendidos, a atividade eleitoral reconhecida por Igson de Farias Pinto e as circunstâncias do transporte, examinadas conjuntamente”, diz o relatório da PF.
“Foram encontrados R$ 70.800,00 em espécie no veículo ocupado pelo conduzido, durante a noite de 03 de outubro de 2026, véspera da votação”, afirma outro trecho.

Igson alegou que o dinheiro era referente à prestação de serviços de logística que vinha acumulando ao longo de aproximadamente cinco ou seis meses.
“Quanto ao recurso que foi encontrado no veículo, era um recurso próprio da minha empresa de recursos prestados que eu já vinha recebendo ao longo do tempo. E esse recurso era o que eu iria pagar toda minha equipe de funcionários”, disse Igson.
“Foi de serviços que eu fui realizando e foi acumulando. Eu vinha guardando esse dinheiro há algum tempo. Não foi de um único serviço. Foi ao longo de meses acumulados”, completou o personal.
A PF, no entanto, afirmou que os documentos apreendidos, como relação de nomes e outros dados, não correspondiam a registros financeiros da empresa nem a comprovantes dos serviços apontados como origem do dinheiro.
“A ‘relação de nomes’ [apreendida com Igson] continha nomes e números de telefone. O “banco de dados — guigui” apresentava informações mais detalhadas, incluindo nome da mãe, data de nascimento e contatos”, disse a PF.
“Não eram, portanto, documentos financeiros da empresa ou simples comprovantes dos serviços de logística apontados como origem do dinheiro”, completou a PF.
Na delegacia, Igson afirmou que não é filiado a nenhum partido, nem trabalha para candidatos. “O que aconteceu é que alguns amigos que trabalham pediram minha ajuda, por conta do número de funcionários que eu tenho, pedindo meu apoio para tentar ajudar esses candidatos”, disse.
Nas redes sociais, Igson tem publicações em apoio a Eduardo Assis e Adail Filho.
Ao ser questionado como seria o apoio, o personal disse inicialmente que não tinha falado com nenhum funcionário, depois disse que comentou com “dois, três ou quatro e cinco”.
O delegado perguntou: “E o que o senhor ia fazer com todo esse material de campanha?”. E Igson respondeu: “Esse material foi o que os amigos deram e ficou lá jogado no carro. Nem usei, nem nada”.
Liberdade provisória
Neste domingo, em audiência de custódia, a juíza plantonista Vanessa Leite concedeu liberdade provisória a Igson, mediante cumprimento de medidas cautelares, entre elas o pagamento de fiança no valor de 40 salários mínimos (cerca de R$ 64,8 mil).


