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Dia a Dia

MPF sugere que Seduc implante ensino médio em comunidades indígenas

23 de setembro de 2026 Dia a Dia
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Escola indígena no Amazonas: Seduc convoca professores aprovados no PSS (Foto: Altemar Alcantara/Semcom)
Escola indígena no Amazonas: MPF recomenda implantar turmas de ensino médio em Barreirinha e Lábrea (Foto: Altemar Alcântara/Semcom)
Do ATUAL

MANAUS — O MPF (Ministério Público Federal) recomendou que a Seduc (Secretaria de Estado de Educação e Desporto) implemente turmas de ensino médio presencial em comunidades indígenas, quilombolas e extrativistas de Barreirinha e Lábrea. Segundo o MPF, a falta de oferta nessas localidades tem levado estudantes a deixar as comunidades para continuar os estudos nas sedes dos municípios.

Em Barreirinha, a recomendação envolve a Aldeia Torrado, do povo Sateré-Mawé, na Terra Indígena Andirá-Marau, e a Comunidade Quilombola Santa Tereza. Em Lábrea, o pedido abrange comunidades tradicionais e extrativistas da Reserva Extrativista Ituxi e de outras localidades da região do Médio Purus.

Deslocamento de estudantes

Na Aldeia Torrado, o MPF cita que a Seduc havia planejado o deslocamento dos estudantes para uma escola agrícola. Para chegar à unidade, eles precisariam fazer uma viagem de barco de cerca de três horas, saindo de casa por volta das 3h, segundo a recomendação.

Enquanto a situação não é regularizada, um professor indígena passou a dar aulas voluntariamente na própria comunidade. O MPF recomenda que a Seduc regularize o cadastro e garanta oficialmente a oferta presencial do ensino médio no local.

Para a Comunidade Quilombola Santa Tereza, a orientação é que a secretaria faça as adequações necessárias, providencie o código de identificação escolar junto ao Ministério da Educação e inicie regularmente as aulas presenciais de ensino médio a partir de 2027. A recomendação prevê o aproveitamento dos professores já disponíveis na região.

Em Lábrea, o MPF deu prazo de 30 dias para que a Seduc garanta turmas presenciais nas comunidades extrativistas e tradicionais da Reserva Extrativista Ituxi e de toda a calha do Médio Purus. A recomendação determina prioridade para localidades que já possuem processos administrativos abertos na secretaria e prevê a ampliação do atendimento às demais comunidades sem oferta do serviço.

As recomendações estabelecem prazos diferentes para a Seduc se manifestar e apresentar medidas para solucionar os problemas. Em Barreirinha, a secretaria tem 15 dias para se posicionar e 120 dias para apresentar um plano de ação para a comunidade quilombola.

O MPF afirma que a oferta de educação escolar diferenciada, presencial e de qualidade é uma obrigação do Estado e cita a Constituição e a Convenção nº 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho). O órgão também alerta que o descumprimento das recomendações pode levar à responsabilização de dirigentes e à adoção de medidas judiciais.

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Assuntos Barreirinha, educação indígena, ensino médio, Lábrea, MPF, Seduc-AM
Feifiane Ramos 23 de setembro de 2026
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