

Do ATUAL
MANAUS – O governador do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil), candidato à reeleição, defendeu a contratação de empréstimos pelo Estado e atribuiu a senadores do Amazonas o travamento de uma operação de crédito com o Banco Mundial destinada à substituição de dívidas antigas por outra com juros menores.
Cidade, que está há quatro meses à frente do governo, concedeu entrevista na manhã desta quinta-feira (10) ao G6, grupo formado pelo ATUAL, BNC Amazonas, Portal Único, Portal do Marcos Santos, Portal Mário Adolfo e Blog do Hiel Levy.
O governador não citou nominalmente os parlamentares aos quais atribuiu o entrave. Seus principais adversários políticos na disputa eleitoral são os senadores Omar Aziz, candidato ao governo, e Eduardo Braga, que integra a coligação de Aziz.
“Essa [operação de crédito] não vai sair. Os senadores da República não ajudaram o Estado do Amazonas”, afirmou Cidade.
Segundo o governador, a operação com o Banco Mundial permitiria trocar dívidas contraídas em diferentes governos por uma dívida mais barata. Cidade afirmou que o objetivo não seria obter dinheiro para novas despesas, mas reduzir o custo dos débitos já existentes.
“Ela vai ajudar, e muito, a saúde financeira dos empréstimos contraídos por diversos governos. Não é de sete anos, de dez anos, de 15 anos. É de outros empréstimos, que nós vamos vender uma dívida cara e contrair uma dívida barata”, disse.
Cidade comparou a operação à renegociação de uma dívida bancária por uma pessoa que consegue reduzir o valor devido e os juros cobrados. “Pra você que está assistindo em casa: você que tem débito com o banco, ele liga para você e diz: ‘o seu débito é de R$ 100 mil com juros e correções. Se você renegociar, passará a pagar R$ 70 mil. Terá economia de R$ 30 mil'”, exemplificou.
De acordo com o governador, a proposta ainda precisa passar pela Casa Civil da Presidência da República antes de seguir para o Senado. Ele afirmou que os prazos previstos para a operação já foram perdidos e atribuiu o atraso ao que chamou de “velha política”.
Cidade estima que a substituição das dívidas proporcionaria economia inicial de aproximadamente R$ 100 milhões e que, ao longo dos próximos oito anos, a redução dos gastos poderia superar R$ 1 bilhão.
“O Banco Mundial iria comprar esses débitos do Banco do Brasil e ia cobrar juros menores do Estado. É um prejuízo enorme para o Estado do Amazonas, não para nossa gestão até o final do ano, [mas] para as próximas gestões”, afirmou.
A Constituição da República prevê que compete ao Senado Federal autorizar operações externas de natureza financeira de interesse da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios.
Empréstimo de R$ 1,4 bilhão
Na entrevista, Cidade também defendeu outra operação de crédito, de R$ 1,4 bilhão, com o Banco do Brasil. Segundo ele, o dinheiro será destinado a investimentos e a operação está em fase final.
“O Estado do Amazonas precisa contrair esses empréstimos. Isso acontece em todos os estados, em todas as prefeituras. São empréstimos que você vai contraindo, vai pagando e vai investindo no Estado”, afirmou.
Segundo Cidade, os recursos poderão financiar obras de pavimentação no interior, além de investimentos em hospitais e outras áreas. O governador afirmou que o Amazonas possui condições fiscais para assumir novas dívidas. “O nosso Estado é o sétimo com a economia mais bem ajustada. Está lá no Tesouro Nacional, somos categoria B+, que pode contrair empréstimos”, disse.
Cidade também comparou a situação estadual com a da Prefeitura de Manaus. Segundo ele, os mesmos grupos políticos que agora se opõem às operações do Estado apoiaram a contratação de R$ 620 milhões em crédito pelo município.
O governador afirmou concordar com a contratação de empréstimos por entes públicos quando há capacidade financeira, mas alegou que a situação fiscal da prefeitura é diferente da estadual.
“É uma operação que vai ajudar o Estado do Amazonas — não é o governador Roberto Cidade e o vice Serafim —, o Estado do Amazonas e os próximos governantes. O que eles estão tentando [é] travar o nosso governo”, afirmou.
Cidade acusou seus adversários de usarem influência política para dificultar ações estaduais nas áreas de saúde, segurança, infraestrutura e educação. Ele classificou esse comportamento como “velha política”.
“Quando eu falo de velha política, não é que eles sejam velhos, não. São as velhas práticas de perseguir, de coagir, de usar a força política que eles têm para prejudicar o Amazonas”, afirmou.
Espaço fiscal
Cidade também comentou um projeto de lei aprovado pela Assembleia Legislativa do Amazonas destinado, segundo ele, a ampliar o espaço fiscal do Estado a partir de 2027.
“É um projeto muito importante. Vamos economizar em torno de R$ 8 bilhões por mês. Nós precisamos ter espaço fiscal, não é eu que vou contrair, é um projeto já prevenindo o Estado do Amazonas para 2027. E a Assembleia aprovou. Estamos nos prevenindo”, afirmou.
