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Política

Adesão à política diminuiu entre militares e PEC sobre cargos ficou no papel

24 de agosto de 2026 Política
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Militares do Exército: depois do 8 de janeiro de 2023, poucos aderiram à política (Paulo Pinto/Agência Brasil)
Por Letícia Fernandes, do Estadão Conteúdo

SÃO PAULO – Três anos depois dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, as Forças Armadas reduziram em 70% a participação na política deste ano, mas a tentativa de endurecer a lei para evitar que militares entrem na disputa partidária não saiu do papel. A PEC que proíbe os quadros da ativa de ocuparem cargos políticos está parada no Congresso desde 2024.

A Proposta de Emenda à Constituição foi gestada dentro do governo Lula ainda no calor dos atos golpistas e foi redigida pelo ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, com o aval do alto comando das Forças Armadas. A PEC foi apresentada pelo então líder do governo no Senado Jaques Wagner(PT-BA).

A ideia do texto era garantir a neutralidade política das Forças e, com isso, despolitizar os quartéis. Sem a aprovação da proposta, aliados do ministro lamentam que o País siga correndo um “risco eterno” de politização de quadros militares.

A PEC de Wagner prevê que militares do Exército, Marinha e Aeronáutica que se candidatarem devem ir automaticamente para a reserva, remunerada ou não, a depender do tempo de atuação nas Forças Armadas. A proposta foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado em novembro de 2023 e chegou a entrar na ordem do dia do plenário no início do ano legislativo de 2024, em fevereiro, mas nunca foi votada.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos-RS) foram alguns dos principais críticos do avanço da proposta.

“Está muito claro que o momento e a intenção dessa PEC é dar um recado para as Forças Armadas, como se militares fossem uma subcategoria de servidor público. No meu ponto de vista, é uma PEC preconceituosa com os militares”, criticou na época o atual candidato a presidente pelo PL.

Distância entre caserna e política

Sem a aprovação do projeto, o movimento de despolitização das tropas acabou ocorrendo dentro das Forças Armadas após a condenação de dezenas de militares pela trama golpista.

Prova disso é a redução de mais de 70% no número de candidaturas militares nas eleições deste ano em comparação com 2022, quando Jair Bolsonaro ainda era presidente. Durante a gestão do ex-presidente, o número de militares em cargos de confiança no governo federal bateu recorde.

Apenas 17 militares solicitaram aos comandos das três Forças licença para se candidatar em 2026. O número quatro anos atrás chegou a 61, sendo o Exército o líder de pedidos, com 30 na ocasião.

O Estadão apurou que Múcio e o comandante do Exército, general Tomás Paiva, comemoraram a baixa adesão política na caserna no pleito deste ano. O ministro da Defesa disse a interlocutores que essa era a “verdadeira pacificação”.

Múcio não esconde, entretanto, a insatisfação com o fato de a PEC ter ficado travada no Congresso Nacional. A pessoas próximas, atribui isso não apenas a críticas da oposição, mas principalmente à falta de interesse do governo Lula em encampar o projeto.

Outro ponto de crítica foi o fato de a relatoria ter ido parar nas mãos do senador Jorge Kajuru (PSB-SP), considerado um parlamentar pouco experiente e sem trânsito entre os pares.

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Assuntos candidaturas, Eleições 2026, Forças Armadas, militares, política
Cleber Oliveira 24 de agosto de 2026
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