
Do ATUAL
MANAUS – A greve dos motoristas do transporte especial e fretamento afetou a produção em fábricas do Distrito Industrial de Manaus e acesso de crianças às creches na manhã desta quinta-feira (20) em Manaus. Trabalhadoras grávidas também passaram mal.
“Teve muitas companheiras grávidas que passaram mal. Elas ficaram esperando dentro de ônibus parados, no calor, por uma solução. Os funcionários estavam dentro do ônibus aguardando uma negociação”, disse Valdemir Santana, presidente do Sindmetal (Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas).
Os micro-ônibus do transporte especial levam trabalhadores para empresas do Polo Industrial de Manaus. O serviço ocorre nos três turnos.
Segundo Valdemir Santana, algumas empresas pagaram Uber para levar as grávidas ao trabalho. As fábricas dispõem de médicos para casos emergenciais.
“Na nossa categoria, os filhos dos trabalhadores que têm o direito a creches incluem mais de 4 mil crianças com idade de até 7 anos”, disse o dirigente. O benefício é assegurado por convenção coletiva. Com a greve, o tráfego de veículos foi paralisado nas vias de acesso às fábricas e escolas durante toda a amanhã impedindo o acesso às creches.
Sobre o acesso dos trabalhadores às fábricas, Valdemir Santana disse que a maioria conseguiu chegar ao local. “Alguns chegaram atrasados e outros foram para casa”, disse.
O dirigente defendeu a reivindicação dos motoristas por maior reajuste salarial e melhores condições de trabalho, mas pediu que cheguem a um acordo com os patrões. “É a primeira vez que acontece um movimento desses dentro do Distrito Industrial”, afirmou.

Indústria
O presidente da Fieam, Antonio Silva, classificou a paralisação como “greve abusiva” e afirmou que a entidade, desde cedo, atuou em conjunto com o vice-governador do Amazonas, Serafim Corrêa, para tentar pôr fim ao movimento. “Vamos recorrer a tudo que for necessário para pôr fim a esta greve”, disse.
Segundo ele, a Fieam acionou o Ministério Público do Trabalho e o Ministério Público Estadual.
Alegação do Sifretam
Em nota, o Sifretam (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros por Fretamento, Turismo, Rodoviários Intermunicipal, Interestadual e Internacional do Estado do Amazonas) informou que houve reuniões de negociação com o Sindespecial nos dias 6, 17 e 19 de agosto, com propostas de reajuste salarial e benefícios. Mesmo assim, “os dirigentes do Sindespecial, infelizmente, optaram pela deflagração de movimento de paralisação”.
O sindicato patronal alega que parte da categoria atua no transporte de trabalhadores do Distrito Industrial, “circunstância que confere caráter essencial ao serviço e amplia o alcance dos reflexos da paralisação sobre a rotina das indústrias instaladas no polo e de seus empregados”.
O Sifretam afirma ainda que a última reunião, em 19 de agosto, ocorreu “sem que tenha havido comunicação prévia ao setor patronal ou observância do prazo mínimo de antecedência exigido pela legislação para a deflagração de greve em atividade essencial”.
Uma nova rodada de negociação foi marcada para a tarde desta quinta-feira. Até às 13h alguns veículos permaneciam parados em avenidas do Distrito Industrial.
Suframa
Também em nota, a Suframa informa que acionou a Polícia Militar e a Justiça do Trabalho para adotarem providências a fim de garantir a mobilidade urbana e o acesso ao trabalho. Confira a nota na íntegra.
NOTA OFICIAL
A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) informa que oficiou formalmente, nesta quinta-feira (20), a Polícia Militar do Estado do Amazonas (PMAM), o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) e a Procuradoria Regional do Trabalho da 11ª Região (PRT-11/MPT) acerca da paralisação promovida pela categoria dos trabalhadores do transporte especial (fretamento).
De acordo com as informações disponíveis até o momento, a paralisação é uma iniciativa do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Especiais de Manaus (Sindespecial) e decorre de impasse nas negociações com as empresas do setor. Entre as reivindicações apresentadas pelos trabalhadores estão reajuste salarial, redução da jornada, auxílio-alimentação e melhorias nas condições de trabalho.
A mobilização alcançou diferentes pontos da cidade, com bloqueios em importantes vias de acesso ao Distrito Industrial, incluindo trechos da Avenida Grande Circular e as rotatórias conhecidas como “Bola da Suframa” e “Bola da Samsung”, além de outras vias relevantes para o deslocamento de trabalhadores e para o fluxo de veículos destinados ao PIM.
A situação tem comprometido diretamente o deslocamento de expressivo contingente de trabalhadores ao Distrito Industrial de Manaus, com reflexos sobre o funcionamento das empresas instaladas no PIM. A continuidade desse cenário poderá ocasionar a paralisação ou redução de linhas de produção, além de repercutir nas cadeias de suprimento, no cumprimento de prazos contratuais e, de forma mais ampla, na atividade econômica e na política de desenvolvimento regional da Zona Franca de Manaus.
Nesse contexto, a Suframa solicitou a atuação dos órgãos em questão, no âmbito de suas atribuições, para a adoção das providências necessárias à ordenação do trânsito e, se necessário, à desobstrução das vias públicas afetadas, de modo a assegurar condições adequadas de circulação e acesso ao Distrito Industrial, preservado o exercício do direito de manifestação dos trabalhadores, nos termos da legislação aplicável.
Por fim, a Autarquia solicitou que, na avaliação e adoção das medidas cabíveis, sejam consideradas as repercussões da paralisação sobre o funcionamento do Distrito Industrial de Manaus e sobre a política de desenvolvimento regional da Zona Franca de Manaus.
A Suframa reafirma seu compromisso com a preservação da atividade produtiva, do emprego e do desenvolvimento regional, bem como com o diálogo institucional entre os órgãos competentes e os setores envolvidos. A Autarquia permanece acompanhando a situação e mantendo interlocução institucional com representantes do setor produtivo, com o objetivo de obter informações sobre os impactos da mobilização e contribuir para a preservação das condições necessárias ao funcionamento das atividades econômicas do PIM.
