

Por Guilherme Matos, do Estadão Conteúdo
BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) admitiu nesta sexta-feira (31) ter dificuldade para indicar um sucessor. O petista disse que decidiu disputar um quarto mandato porque não há hoje nenhum nome capaz de “derrotar a extrema direita” nas eleições de 2026.
“Acontece que tem momentos na política e no futebol que você não tem a quantidade de craque que você queria”, afirmou o presidente em entrevista ao podcast Inteligência Ltda, no YouTube.
Lula disse, porém, que não desistiu de formar sucessores. Ele citou as candidaturas de Dilma Rousseff, em 2010, e de Fernando Haddad, em 2018, como exemplos. Segundo o presidente, novos nomes do partido podem surgir daqui a quatro anos, a partir das eleições estaduais de 2026.
Lula afirmou, ainda, que não queria ser candidato neste ano. “Meu desejo, se eu pudesse, era descansar com a minha namorada, com a minha Janjinha (a primeira-dama). Mas é o seguinte, eu não vou deixar a extrema direita voltar. A verdade é que no momento hoje não tem ninguém para poder derrotar essa gente”, disse o presidente.
Lula afirmou que sua forma física está melhor do que quando tinha 57 anos e venceu sua primeira eleição. O petista tem 80 anos e deve ter como principal adversário na campanha à reeleição o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de 45.
Aliados do presidente preveem que a diferença de idade pode ser um tema da campanha eleitoral. Em março, Flávio se referiu a Lula como um “Opala velho”, em referência ao carro da Chevrolet lançado em 1968.
A estratégia petista para enfrentar críticas etaristas vai passar por reforçar a ideia de vigor físico de Lula para mais quatro anos de mandato e a “experiência” para encarar situações difíceis.
Alvorada desumano
Lula disse que a estrutura ampla do Palácio da Alvorada, residência oficial dos chefes do Executivo federal, é desagradável e até “desumana”. “A cozinha fica numa ponta, o quarto fica na outra. Se você tiver que pedir café, o café chega frio. Se você pedir uma cerveja, ela chega quente”, afirmou o presidente.
Segundo o presidente, o imóvel tem ao todo oito quartos, mas a distância entre eles atrapalha a rotina. “É muito belo para tirar fotografia. Agora, para morar, é muito desumano. Não é aconchegante”, disse Lula que recebeu o entrevistador na residência oficial.
Para Lula, a arquitetura do palácio também não é adequada à realidade da maioria dos presidentes que ocuparam o imóvel. “Porque quase todos os presidentes que vêm aqui não têm uma penca de filhos. O cara vem para cá já com uma certa idade, com 50, 60 anos, já tem os filhos criados”, disse.
Lula ainda citou a piscina do Alvorada. De acordo com ele, os pedidos feitos no espaço de convivência demoram a chegar por causa da distância até a cozinha. “O cara já chega cansado”, afirmou.
O Palácio da Alvorada foi construído na década de 1950, a partir de projeto de Oscar Niemeyer. As obras ocorreram junto à construção de Brasília, a capital federal idealizada por Juscelino Kubitschek.
