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Dia a Dia

Juíza condena mãe e irmão de Djidja a 10 anos de prisão por tráfico de drogas

23 de julho de 2026 Dia a Dia
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Ademar Neto e Cleusimar Cardoso foram condenados por tráfico de drogas (Foto: Reprodução/TV Band)
Por Thiago Gonçalves, do ATUAL

MANAUS – A juíza Roseane do Vale Cavalcante Jacinto, da 3ª Vara Especializada em Crimes de Uso e Tráfico de Entorpecentes, condenou Cleusimar Cardoso Rodrigues (mãe da ex-sinhazinha do Boi Garantido, Djidja Cardoso) e Ademar Farias Cardoso Neto (irmão de Dijdja) a 10 anos e 11 meses de reclusão em regime fechado por tráfico de drogas.

A sentença também alcança a ex-gerente do salão de beleza Verônica da Costa Seixas, condenada a 10 anos de reclusão; o veterinário José Máximo Silva de Oliveira, a 10 anos e 4 meses; o personal trainer Hatus Moraes Silveira, a 10 anos e 5 meses; Bruno Roberto da Silva Lima, ex-namorado da Djidja, a 8 anos e 6 meses; e Sávio Soares Pereira a 9 anos de reclusão.

Os réus foram condenados também por associação para o tráfico decorrente do esquema de distribuição ilegal de cetamina no âmbito da Operação Mandrágora. Outras três pessoas foram absolvidas.

O caso passou a ser investigado pela Polícia Civil do Amazonas após a morte de Djidja, ocorrida em maio de 2024. Laudos periciais atestaram que a causa da morte foi um edema cerebral acompanhado de depressão dos centros cardiorrespiratórios provocados por overdose de cetamina pela família.

A decisão foi proferida 10 meses após a anulação do julgamento anterior, decorrente de uma falha procedimental reconhecida pelo Ministério Público, e não analisa a responsabilidade criminal pela morte de Djidja Cardoso, apurada em processo distinto.

Ao analisar a participação de Cleusimar Cardoso Rodrigues, a juíza considerou que ela exercia posição de liderança dentro da associação criminosa e era responsável por coordenar a obtenção da droga.

A sentença cita que o investigador responsável pelo caso foi categórico ao descrevê-la como a principal articuladora do grupo. “O investigador Geraldo Pereira, com base em toda a investigação, foi enfático ao apontar Cleusimar como a ‘principal articuladora da associação para o tráfico, coordenando a aquisição de quetamina. Ela não era uma simples integrante, mas o vértice da organização, de onde emanavam as diretrizes”, diz a juíza em trecho da sentença.

Segundo a magistrada, Cleusimar utilizava a filosofia difundida pelo grupo “Pai, Mãe, Vida” para incentivar o consumo da substância e manter os participantes unidos. “A ré utilizava a filosofia das ‘Cartas de Cristo’ e a expressão ‘Pai, Mãe, Vida’ como um poderoso elemento ideológico para justificar o uso da droga e manter o grupo unido”.

Ainda de acordo com a decisão, a residência de Cleusimar funcionava como base das atividades do grupo: “A residência da ré, sob sua liderança, foi transformada na sede permanente da associação criminosa. Era o local fixo onde a droga era armazenada, preparada e distribuída para o consumo coletivo”.

Outro ponto destacado pela juíza foi uma conversa entre Cleusimar e Verônica sobre a abertura de uma clínica veterinária para facilitar a compra de cetamina e outros medicamentos. Para a magistrada, a atuação da empresária extrapolava episódios isolados.

“A atuação de Cleusimar, portanto, não se limitava a atos isolados de tráfico, mas consistia na liderança estável e permanente de uma verdadeira societas sceleris”, afirmou. “Por esses motivos, a juíza manteve sua prisão preventiva e negou o direito de recorrer em liberdade, registrando que “a soltura da líder, neste momento, representaria um risco inaceitável de reorganização do grupo e, consequentemente, à garantia da ordem pública”.

Na sentença, Ademar Farias Cardoso Neto aparece como o “braço executivo” da estrutura criminosa. A juíza concluiu que ele atuava em conjunto com a mãe na manutenção das atividades relacionadas à aquisição e distribuição da cetamina. Segundo depoimentos citados na decisão, testemunhas afirmaram que “Ademar e Cleusimar lhe forneciam drogas, sendo eles os responsáveis pelos pedidos”.

A magistrada afirmou que ele tinha participação ativa na rotina do grupo. “Todas as provas demonstraram que Ademar agia em perfeita unidade de desígnios com Cleusimar, compartilhando do mesmo propósito de manter a disponibilidade e o consumo de cetamina de forma contínua e organizada”. Ademar, assim como os réus José Máximo e Hatus Moraes, também continuará preso preventivamente.

Em relação a Verônica da Costa Seixas, a magistrada concluiu que ela possuía participação consciente e permanente na dinâmica do grupo, auxiliando na obtenção e distribuição das substâncias. “A participação de Verônica era estável, consciente e indispensável para a fluidez das operações da associação”, afirmou a juíza.

A decisão menciona depoimentos segundo os quais Verônica realizava compras dos medicamentos utilizados pelo grupo e participava do planejamento das ações. Diferentemente dos líderes, porém, Verônica recebeu autorização para recorrer em liberdade.

A juíza observou que ela responde ao processo sob monitoramento eletrônico desde setembro de 2024 e não descumpriu as medidas imposições, anotando que “a superveniência da presente sentença condenatória, por si só, não constitui fato novo apto a justificar o agravamento da medida cautelar”.

A mesma autorização para recorrer em liberdade mediante cumprimento de medidas cautelares foi estendida aos réus Bruno Roberto da Silva Lima e Sávio Soares Pereira — este último, o único a ter o regime inicial semiaberto fixado.

Por fim, a juíza rejeitou o benefício do tráfico privilegiado por entender que os condenados integravam uma associação criminosa e absolveu os réus Claudiele Santos da Silva, Marlisson Vasconcelos Dantas e Emicley Araújo Freitas Júnior por insuficiência de provas.

Quem foi julgado

RéuResultadoPapel apontado na sentença
Cleusimar Cardoso Rodrigues (mãe de Djidja)CondenadaApontada como líder
Ademar Farias Cardoso Neto (irmão de Djidja)CondenadoApontado como braço direito da mãe
Verônica da Costa SeixasCondenadaGerente de salão, distribuía a droga
José Máximo Silva de OliveiraCondenadoDono de clínica veterinária, fornecedor
Sávio Soares PereiraCondenadoFornecedor
Hatus Moraes SilveiraCondenadoPreparador físico da família
Bruno Roberto da Silva LimaCondenadoEx-namorado de Djidja
Emicley Araújo Freitas, Claudiele Santos da Silva, Marlisson Vasconcelos DantasAbsolvidosProvas consideradas insuficientes

Cronologia do caso Djidja Cardoso

28 de maio de 2024 – Morte de Djidja Cardoso

A ex-sinhazinha do Boi Garantido Djidja Cardoso, de 32 anos, foi encontrada morta em sua casa, em Manaus. A partir desse episódio, a Polícia Civil iniciou investigações para esclarecer as circunstâncias da morte.

Maio e junho de 2024 – Início das investigações

Durante as apurações, os policiais identificaram indícios do uso frequente de cetamina por familiares, funcionários e pessoas próximas a Djidja. As investigações também revelaram a existência do grupo conhecido como “Pai, Mãe, Vida”, que reunia vários dos investigados.

30 e 31 de maio de 2024 – Operação Mandrágora

A Polícia Civil deflagrou a Operação Mandrágora e cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão. Entre os alvos estavam Cleusimar Cardoso Rodrigues, mãe de Djidja, e Ademar Farias Cardoso Neto, irmão da vítima.

Junho de 2024 – Avanço das investigações

As investigações apontaram que a cetamina era adquirida por integrantes do grupo e compartilhada entre seus membros. A polícia também reuniu mensagens, documentos, vídeos e depoimentos que passaram a integrar o inquérito.

Segundo semestre de 2024 – Denúncia do Ministério Público

Com base nas provas reunidas pela Polícia Civil, o Ministério Público denunciou os investigados pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico, alegando que existia uma estrutura organizada para obter, armazenar e distribuir cetamina.

9 de setembro de 2024 – Verônica deixa a prisão

A Justiça revogou a prisão preventiva de Verônica da Costa Seixas, ex-gerente dos salões Belle Femme. Ela passou a responder ao processo em liberdade, usando tornozeleira eletrônica e cumprindo outras medidas cautelares.

2024 a 2026 – Tramitação do processo

Ao longo de mais de dois anos, a Justiça ouviu testemunhas, policiais, investigados e analisou provas apresentadas pela acusação e pela defesa.

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Assuntos Ademar Farias Cardoso, Cleusimar Cardoso, Djidja Cardoso, manchete, tráfico de drogas
Thiago Gonçalves 23 de julho de 2026
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