
Por Eduardo Barreto, do Estadão Conteúdo
SÃO PAULO – Apenas 19 dias após o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) prometer no primeiro item de seu plano de segurança pública que “bandido armado com fuzil na mão vai ser abatido pelas forças de segurança”, seu candidato ao Senado no Rio de Janeiro, Márcio Canella (União), foi preso pela Polícia Federal com um fuzil calibre .556 em seu carro, armamento de calibre restrito.
A PF ainda apreendeu na terça-feira (7) dois revólveres, uma pistola, 13 carregadores e munições em endereços ligados a Canellas, apontado como “braço político” de um esquema bilionário de lavagem de dinheiro do crime organizado por meio de postos de combustíveis no Rio.
Procurados, Flávio Bolsonaro e Márcio Canella não responderam.
Batizado de “Brasil sem medo”, o plano do pré-candidato à Presidência para a segurança pública foi lançado no último dia 18 e tem 12 itens. O primeiro, com o título “Terrorista vai ser tratado como terrorista”, diz que “bandido armado com fuzil na mão vai ser abatido pelas forças de segurança” e que “quem vai voltar a mandar no Brasil será a lei”.
O documento não cita propostas de combate à corrupção policial e à infiltração do crime no Estado, duas áreas consideradas vitais por especialistas para reforçar a luta contra organizações criminosas.
Apoio ao ‘amigo’
Flávio Bolsonaro disse publicamente que considera um “amigo” e apoia “100%” Canella para o Senado no Rio de Janeiro. A suplente na cahpa de Canella ao Senado é a mãe de Flávio Bolsonaro, Rogéria Bolsonaro.
“Estou aqui para reafirmar nosso apoio integral, 100%, ao meu amigo Márcio Canella como pré-candidato ao Senado no Rio. Ele foi deputado comigo. É competente, sabe trabalhar e vai estar com a gente na missão de resgatar o nosso Brasil no Rio de Janeiro. Sigam o Márcio Canella e vamos apoiá-lo”, afirmou Flávio em um vídeo publicado em suas redes em 3 de abril.
Em 22 de abril, Flávio compartilhou outro vídeo em apoio a Canella, em que voltou a chamá-lo de “amigo” e a elogiá-lo. “Estou aqui com meu amigo Márcio Canella. Foi deputado comigo, um grande prefeito. Vamos seguir o nosso Márcio Canella, que vai ser muito importante como senador a partir do ano que vem se Deus quiser. Canella, estamos juntos”, concluiu o presidenciável do PL.
Lavagem de dinheiro
A PF investiga uma quadrilha suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro para lavar dinheiro do crime organizado.
Segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o grupo alvo da operação da PF na terça-feira, 7, movimentou R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.
Ao todo, policiais federais cumpriram 19 mandados de busca e apreensão em cidades do Rio de Janeiro: Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e na capital fluminense. A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas aos investigados.
