
Por Fausto Macedo e Felipe de Paula, do Estadão Conteúdo
SÃO PAULO – Com base em listas apreendidas com o contraventor Adilsinho, apontado como o “capo” da nova direção do jogo do bicho no Rio de Janeiro, que indicariam registros de pagamento de propina a políticos, doações eleitorais e lavagem de dinheiro do crime organizado, a Polícia Federal deflagrou nesta manhã a quinta fase da Operação Unha e Carne. A investigação apura um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas em favor da facção Comando Vermelho.
Expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), os mandados de prisão preventiva têm como alvos o pastor evangélico Márcio Poncio, pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ), o contraventor Adilsinho e o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar. Adilsinho e Bacellar já estão presos.
A reportagem busca contato com a defesa dos alvos da investigação. O espaço está aberto.
Além das prisões, a PF executa 14 mandados de busca e apreensão em endereços vinculados aos investigados, nas cidades do Rio de Janeiro e São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Moraes também determinou o sequestro de bens e valores até o montante de R$ 22 milhões.
Rodrigo Bacellar, preso no Complexo Penitenciário de Bangu desde março, será levado à Superintendência da Polícia Federal no Rio para o cumprimento das formalidades relacionadas ao mandado de prisão preventiva. Em seguida, será transferido para o sistema penitenciário federal.
Segundo os investigadores, a quinta fase da Operação Unha e Carne tem como objetivo aprofundar a investigação sobre indícios de lavagem de dinheiro praticada pelo “capo” Adilsinho e uma possível ramificação do esquema envolvendo integrantes do Executivo e Legislativo fluminense.
O termo “capo”, utilizado pela própria Polícia Federal para se referir a Adilsinho, deriva de caporegime e designa um integrante de alto escalão da máfia italiana. Na estrutura dessas organizações criminosas, o capo é responsável por comandar um grupo de soldados e administrar as atividades criminosas em uma determinada área de atuação.
Desembargador e deputado presos
As quatro fases anteriores da Operação Unha e Carne foram deflagradas entre dezembro de 2025 e maio deste ano.
Na primeira etapa, a PF colocou na mira Rodrigo Bacellar, suspeito de repassar informações sigilosas da Operação Zargun ao ex-deputado TH Joias, apontado como articulador político e comprador de armas para o Comando Vermelho.
Na segunda fase, a investigação passou a apurar a origem dos supostos vazamentos. O desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), foi preso preventivamente sob suspeita de repassar informações sigilosas a Bacellar.
A terceira etapa foi deflagrada após a cassação do mandato de Bacellar pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ex-presidente da Alerj voltou a ser preso por determinação do ministro Alexandre de Moraes, após denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Na quarta fase, em maio, a Polícia Federal desarticulou um esquema de fraudes em contratos da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro. Na ocasião, foram cumpridos sete mandados de prisão e 23 de busca e apreensão.
A Operação Unha e Carne integra as investigações determinadas pelo STF no âmbito da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas. No julgamento, a Corte determinou que a Polícia Federal apure a atuação das facções em atividade no Rio de Janeiro e suas conexões com agentes públicos.
