
MANAUS – Um grupo de cientistas entregou uma carta ao Vaticano visando alertar ao papa Leão XIV sobre os riscos que afetam a Amazônia nesse século XXI. Os cientistas pertencem a 14 instituições nacionais e internacionais, como USP, Ufam, Unesp, Inpa, Butantã e FGV. Os pesquisadores estão preocupados com a intensificação dos projetos de devastação do bioma, que tem colocado em risco a biodiversidade, as culturas e o equilíbrio climático.
O documento foi entregue pelo pesquisador Lucas Ferrante (USP) no dia 18 de junho ao Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, em Roma. Os signatários do documento pedem apoio da Igreja Católica para mobilizar as nações e líderes mundiais em torno dos riscos oferecidos por projetos em curso no território amazônico: repavimentação da BR-319, a extração de potássio em Autazes (AM) e a fragilização da legislação ambiental realizada pelo Congresso Nacional brasileiro.
Esses projetos apresentam graves riscos para as florestas, as águas, os povos indígenas e o equilíbrio ecossistêmico. Diante disso, os pesquisadores pedem responsabilidade e rigor nos estudos de impactos ambientais e cobram respeito aos direitos dos povos que vivem nas áreas afetadas pelos empreendimentos. Os pesquisadores avaliam também que a abertura de novas fronteiras de desmatamento, infraestrutura e mineração na Amazônia pode favorecer a emergência e disseminação de doenças transmitidas por organismos desconhecidos provenientes do interior das florestas.
Para fazer as denúncias, os estudiosos recorrem aos princípios da Ecologia Integral defendidos pela Encíclica Laudato Sí, escrita pelo papa Francisco em 2015. A Encíclica reforça a necessidade de uma mudança urgente de atitudes em relação ao meio ambiente, ressaltando o cuidado da natureza e a mudança do modelo de desenvolvimento como caminhos a serem adotados pela humanidade e pelos estados em vista da construção de sociedades sustentáveis, justas e éticas.
Ao recorrer às instâncias mais altas da Igreja Católica, os cientistas esperam contornar as decisões sobre os projetos em curso, chamando a atenção das lideranças mundiais para o cuidado da Amazônia e do meio ambiente em geral. Diante das nossas graves circunstâncias climáticas, é necessário colocar um limite ao avanço do capitalismo predatório.
Sandoval Alves Rocha é doutor em Ciências Sociais pela PUC-RIO. Participa da coordenação do Fórum das Águas do Amazonas e associado ao Observatório Nacional dos Direitos a Água e ao Saneamento (ONDAS). É membro da Companhia de Jesus/Jesuítas e professor da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP).
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