
Por Cícero Cotrim e Mateus Maia, do Estadão Conteúdo
BRASÍLIA – O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta quarta-feira (17) que os subsídios concedidos pelo governo para baratear os combustíveis vão acabar se o fim da guerra do Irã levar a uma queda dos preços de petróleo – e, consequentemente, a um alívio nas pressões sobre a inflação.
Falando com jornalistas na saída de uma audiência pública na Câmara dos Deputados, que ocorreu entre as 10h e as 13h, Durigan se absteve de indicar se haveria algum gatilho para o fim dos benefícios. “Vamos monitorar, mas a tendência é acabar os subsídios”, disse o ministro da Fazenda.
Segundo Durigan, a inflação continua sendo um tema de preocupação global e pressionando a política monetária de diversos países, mas pode ter um alívio com o anúncio de um acordo de paz para o Irã. No Brasil, a expectativa é que alguma reversão da alta dos preços de petróleo também alivie os preços.
“Espero que agora, com esse cessar-fogo que foi recentemente anunciado, a gente siga com a diminuição do preço do petróleo, fazendo com que a inflação diminua com a redução do preço dos combustíveis”, disse ele.
Banco Central
Dario Durigan afirmou que é preciso fortalecer o Banco Central, mas sem criar “outro Poder da República” e problemas na contabilidade pública. “Não podemos, a pretexto de fortalecer institucionalmente o Banco Central, criar uma série de distorções, seja na contabilidade pública, seja do ponto de vista de auditabilidade das regras do Banco Central, seja do ponto de vista de discussão orçamentária, discussão de pessoal”, afirmou Durigan.
Segundo ele, a instituição tem problema de outras agências reguladoras como falta de servidores e de orçamento. Inclusive, afirmou que o problema do Banco Master nasceu por falta de supervisão do BC.
“É preciso fortalecer, sim, a instituição do Banco Central, como é preciso fortalecer a IBGE, a Susep e as outras agências, sem que a gente tenha uma espécie de novo poder da República, que pode mandar projeto de lei, que não se submete a auditoria da CGU”, completou, ao referir-se à Controladoria-Geral da União.
Por fim, Durigan disse que quem deve responder pelo combate ao crime organizado é o Brasil e que o governo não vai pedir socorro a outro país.
