
Por Mateus Maia e Renan Monteiro, do Estadão Conteúdo
SÃO PAULO – O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (9), em entrevista ao portal UOL, que é importante que o Congresso não vote pautas-bomba diante do cenário internacional atual. Segundo ele, algumas das propostas tornariam o país ingovernável nos próximos anos.
“No momento em que a gente vive com guerra no Irã, com nova onda de tarifaço e medidas unilaterais dos Estados Unidos, é muito importante que a gente não vote pautas com grande impacto fiscal no Congresso”, afirmou.
Segundo ele, a aprovação de pautas-bomba nesse momento daria mais argumentos para as pessoas que defendem que o Banco Central aumente os juros. “Todas essas medidas que estão em tramitação e teriam impacto podem tornar o país ingovernável a partir do próximo mandato”, declarou.
Sobre o fim da jornada de trabalho 6×1, o ministro afirmou que é favorável a essa pauta porque existe uma injustiça no mercado de trabalho onde os mais pobres trabalham mais porque tiveram menos oportunidades, e isso precisa ser resolvido.
“Há, do meu ponto de vista, uma primeira falta de justiça dentro do mundo do trabalho (…) essa desigualdade precisa ser endereçada, por isso eu sou favorável ao fim da 6×1”, completou.
Por fim, o ministro descartou que a Fazenda esteja estudando uma possível desvinculação de benefícios previdenciários e das aposentadorias do salário mínimo, mesmo que esse seja um dos temas favoritos do mercado.
Bets
Dario Durigan avaliou que uma eventual proibição das apostas esportivas online (bets) poderia ter efeito prejudicial ao estimular e ampliar o mercado ilícito. “A minha visão é que precisamos ser muito duros na regulação, reconhecendo que é um problema”.
Além do apertar na regulação, ele citou a diminuição da publicidade, o aumento de tributação, regras de transparência e autoexclusão e bloqueio de sites irregulares. “Vamos organizar operações, tendo em vista todas as informações que a gente hoje recebe, para coibir a aposta irregular e abuso que pode prejudicar as famílias”, declarou o ministro.
Na segunda (8), o Ministério da Fazenda informou que os dados de empresas de prêmios e apostas no País terão “ampla transparência”. Ou seja, todos os processos concluídos das bets serão tornados públicos. O Ministro da Fazenda disse que há informações sensíveis nos processos, mas não há sigilo. “Vamos divulgar dados proativamente”, declarou.
Ele argumentou que as bets passaram quatro anos ganhando peso na economia e uma série de setores depende da publicidade. Durigan argumentou que não há resistência em discutir a atuação dessas empresas, tendo em vista a arrecadação governamental com o setor Ele disse ainda que as bets precisam ser tratadas como tratamos cigarro, com aperto da regulação.
