
Informação e Opinião
Por Valmir Lima, do ATUAL
MANAUS – Historicamente, governadores em segundo mandato renunciam para buscar o Senado, deixando o vice assumir para ganhar visibilidade e disputar a sucessão. Foi assim que fez Amazonino Mendes, Eduardo Braga e Omar Aziz, os três ex-governadores reeleitos após a emenda da reeleição aprovada durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Todos se elegeram senador com folga.
Ao quebrar esse padrão, Wilson Lima (União Brasil) sinaliza que prefere o poder da máquina na campanha eleitoral à incerteza de uma campanha legislativa. Ele mantém o controle total do orçamento e da máquina pública durante todo o processo eleitoral de 2026 e pode se tornar um cabo eleitoral de luxo no estado.
Essa decisão do governador Wilson Lima de ficar até os 45 minutos do segundo tempo ou até 5 de janeiro de 2027 é o tipo de movimento que vira o tabuleiro político do Amazonas de cabeça para baixo.
Tadeu de Souza (recém filiado ao Progressista), o vice-governador, já se preparava para assumir o comando do Estado e certo estava de que disputaria a reeleição de governador, com a máquina nas mãos. A rota terá que ser refeita. No mesmo dia em que Wilson Lima anunciou que fica, Tadeu disse que ficará ao lado do governador, ou seja, no carago de vice até os dias iniciais de 2027.
O anúncio de Wilson Lima aconteceu uma semana depois de o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), anunciar que deixará o cargo em abril para disputar a cadeira de governador do Amazonas. David, inicialmente, pretendia contar com o apoio de Tadeu de Souza, na hipótese de este assumir o cargo de governador em eventual renúncia de Wilson Lima.
Um movimento ocorrido há duas semana, no entanto, levou Almeida a refazer seus planos: Tadeu se filiou ao Progressista, partido aliado do União Brasil de Wilson Lima, no Amazonas.
David não desistiu da candidatura. Ele avalia que ficar no cargo de prefeito até o fim do mandato o deixaria isolado, sem mandato por dois anos, pelo menos. E nesta terça-feira (3) voltou a dizer que será candidato a governador: “Comigo não tem ré!”
Wilson Lima no cargo passa a ser o político com o apoio mais cobiçado entre os candidatos a governador. Há especulações de que ele poderá apoiar Roberto Cidade em uma candidatura própria do União Brasil a governador.
Mas há apostas também de que ele possa apoiar a candidatura do senador Omar Aziz, que aparece nas pesquisas de intenção de voto como favorito.
Nacionalmente, o União Brasil é um aliado do PL de Jair Bolsonaro. No Amazonas essa união não é descartada. No PL, Lima so enfrenta resistência do vereador Sargento Salazar, enquanto a cúpula da legenda tem evitado confronto com o governador.
O certo é que na política amazonense, nada é previsível. Até as convenções partidárias, o período de escolha oficial de candidatos, que ocorre entre 20 de julho e 5 de agosto, muitas surpresas virão. Mas ninguém pode negar que a pré-campanha eleitoral de 2026 no Amazonas começou animada.

