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Economia

Minerais críticos atraem pouco interesse de investidores

28 de fevereiro de 2026 Economia
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Minerais críticos explorados no Brasil; país tem a segunda maior reserva global de terras raras (Foto: SGB/Divulgação)
Minerais críticos explorados no Brasil; país tem a segunda maior reserva global de terras raras (Foto: SGB/Divulgação)
Por Jean Mendes, do Estadão Conteúdo
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SÃO PAULO – A relevância do tema dos minerais críticos para a economia global e o futuro da Inteligência Artificial, veículos elétricos e energia renovável ainda é praticamente invisível na indústria de investimentos. O mercado oferece poucos produtos focados nessa tese tanto para no Brasil quanto no exterior.

Um caminho tem sido os fundos temáticos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês). No mercado doméstico, eles ainda não chegaram. O  brasileiro pode alocar em Brazilian Depositary Receipts (BDRs) dos ETFs estrangeiros que já estrearam por aqui ou alocar no exterior através de alguma conta global.

Riscos

Embora a tese de investimento tenha charme e muita atualidade, é necessário ter cautela porque os riscos são consideráveis, de acordo com Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad. Ela explica que a atual tese de eletrificação e energias verdes aumentou significativamente a demanda por terras raras, que são essenciais para motores e geradores elétricos, além de terem uso militar.

Na visão da Nomad essa tese é mais adequada para perfis arrojados, pois os principais ETFs no mercado têm tipicamente volatilidade anualizada acima de 30% e são altamente sensíveis ao noticiário geopolítico e ciclos de demanda, especialmente os mais concentrados na China. A título de comparação, a taxa de volatilidade do Ibovespa anualizada é de 18,65%, segundo a B3.

“A oferta desses metais é centralizada e controlada pela China. O país asiático detém 40% das reservas e quase 70% da mineração total mundial. Ao mesmo tempo, fabricantes vêm tentando buscar alternativas ao uso de terras raras, com exemplos como carros elétricos da Renault e da BMW utilizando cobre em vez desses elementos”, diz Zogbi.

Danilo Moreno, analista da Investo, gestora de ETFs com R$ 7,5 bilhões sobre gestão, reforça que para o investidor que está planejando entrar nesta tese é importante ter uma visão de longo prazo, além de uma posição com tamanho adequado e disposição para atravessar ciclos, evitando decisões baseadas apenas na narrativa do momento.

Moreno comenta que, entre os principais riscos, estão as questões geopolíticas, dado que a cadeia produtiva é concentrada geograficamente e sujeita a restrições comerciais e controles de exportação. Há também risco regulatório e ambiental, risco de execução de novos projetos e o próprio ciclo de commodities, que alterna períodos de escassez e de excesso de oferta. Soma-se a isso a volatilidade típica de empresas menores e intensivas em capital.

Potenciais de retornos

Segundo o analista da Investo, o potencial de retorno da tese está associado ao crescimento da demanda por energias renováveis, veículos elétricos e aplicações tecnológicas, além de eventuais prêmios de escassez durante momentos de tensão na oferta. No entanto, os retornos tendem a ocorrer em ondas, acompanhando anúncios de políticas industriais, restrições comerciais ou novos investimentos relevantes na cadeia.

A estrategista-chefe da Nomad alerta que a onda de subsídios e investimentos em países como os Estados Unidos, Austrália e regiões como a Europa pode estimular o crescimento de companhias não-chinesas. Com o início de operações de refino na Malásia e, mais recentemente, nos EUA, o mundo começa a diversificar gradualmente o fornecimento no médio e longo prazo, embora esse processo seja lento.

Zogbi diz que, caso as projeções de mercado se concretizem e as refinarias em outros países – fora da China – entrem em operação conforme planejado, até 2030 o resto do mundo produzirá cerca de metade do que a China produziu em 2024.

Como investir

A principal referência global neste tema é o ETF VanEck Rare Earth/Strategic Metals (REMX) da VanEck, uma gestora americana que lançou o REMX em 2010.

“Na época do lançamento, a inovação parecia muito à frente do seu tempo. Celulares, televisores de tela plana e eletrônicos de consumo semelhantes estavam na vanguarda. Os metais usados nessas aplicações estavam em alta demanda graças a esses avanços tecnológicos, além de terem aplicações fundamentais na área de defesa nacional, que ainda hoje é um grande impulsionador da demanda por esses metais”, diz Brandon Rakszawski, vice-presidente e diretor de Gestão de Produtos da VanEck, em nota ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

A Global X ETFs tem um ETF no mercado norte-americano sobre o tema, o Global X Disruptive Materials ETF (DMAT). Em nota, a Global X diz que estuda trazer esse produto para o Brasil, através de um BDR na B3. Na Bolsa brasileira, a gestora já oferece BDRs de ETFs de outros metais. O BDR BURA39 oferece exposição ao fundo de urânio (Global X Uranium ETF). O BSIL39 é recibo do ETF de prata, o Global X Silver Miners ETF. O BDR BCPX39 é um recibo brasileiro do fundo de cobre Global X Copper Miners. E o BLBT39 é um BDR que replica o ETF de lítio e baterias, Global X Lithium & Battery Tech ETF.

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Assuntos Bolsa de Valores, Investidores, minerais críticos, terras raras
Cleber Oliveira 28 de fevereiro de 2026
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