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Dia a Dia

Celular resgatado do esgoto ajudou a polícia a esclarecer morte de corretora em GO

19 de fevereiro de 2026 Dia a Dia
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Daiane Alves Souza e o Síndico
Daiane Alves Souza gravou o síndico Cléber Rosa de Oliveira no subsolo, instantes antes de ser atacada por ele (Fotos: Reprodução)
Por Rayanderson Guerra, do Estadão Conteúdo

SÃO PAULO – A Polícia Civil de Goiás divulgou nesta quinta-feira (19) um vídeo que mostra o momento em que a corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, foi atacada pelo síndico Cléber Rosa de Oliveira no subsolo do condomínio onde morava, em Caldas Novas (GO). Ela foi morta com dois tiros na cabeça, segundo a polícia.

O vídeo foi gravado por Daiane. A gravação foi recuperada do celular da vítima, que ficou 41 dias em uma caixa de esgoto do prédio. O aparelho foi recuperado no dia 30 de janeiro durante uma perícia no local.

O Estadão tenta contato com a defesa do síndico. Os advogados de Maicon Douglas de Oliveira, filho de Cléber, que teve o envolvimento na morte de Daiane descartado, dizem que as provas demonstram que Maicon não participou do fato e que o arquivamento das suspeitas em relação ao seu cliente era esperado.

No vídeo divulgado pela polícia, Daiane aparece descendo o elevador do prédio para checar, no subsolo, se o disjuntor do apartamento 402 estava desligado, verificando uma queda de energia. “Cheguei na recepção. A Equatorial (empresa de abastecimento de energia) não veio cortar, claro, porque está pago. Agora, eu vou descer para ver se o disjuntor está desligado. Vou até o disjuntar do 402 e a gente vai filmar”, diz a corretora nas imagens.

Ela confere alguns disjuntores e chega a dizer que o síndico estava no subsolo no momento da gravação. “Vamos ver se essa brincadeira está continuando. O síndico está aqui embaixo, isso eu sei”, diz. Pouco depois de encontrar o quadro de energia do apartamento 402, ela vira para o lado e é surpreendida pelo síndico.

O delegado João Paulo Ferreira Mendes detalhou a dinâmica do crime e afirma que as imagens e informações colhidas na investigação mostram que o assassinato foi premeditado.

“No início já dá para ver que ele (o síndico) aguardava a Daiane no subsolo. Ele já estava com a luva nas mãos, o carro posicionado ao lado do almoxarifado”, diz. “Tratou-se, de fato, de um homicídio premeditado, uma emboscada deliberada, no qual ele desligou o painel de energia para que ela descesse ao subsolo. Então, a incapacitou, retirou do local e a executou com dois disparos de arma de fogo”, explica o delegado.

De acordo com o superintendente da Polícia Científica de Goiás, Ricardo Matos, o síndico usou uma pistola .380 semiautomática para executar Daiane. Uma das balas ficou alojada na cabeça e a outra saiu pelo olho esquerdo da vítima.

O síndico, que já estava preso, foi quem indicou à polícia o local em que o corpo foi encontrado. Cléber Rosa de Oliveira e seu filho, Maicon Douglas de Oliveira, foram presos em janeiro deste ano sob a suspeita de terem matado a mulher. À época, o advogado dos dois suspeitos disse aguardar acesso integral ao inquérito policial, à representação da autoridade policial e à decisão judicial para avaliar as próximas medidas.

Mais tarde, a polícia descartou o envolvimento de Maicon Douglas no crime. Em nota, os advogados Luiz Fernando Izidoro Monteiro e Silva e Daniel Gonçalves Santos Lima, que representam o filho do síndico, declaram que “o arquivamento das suspeitas, embora fosse a única resposta juridicamente aceitável e já esperada por esta defesa, impõe à sociedade uma reflexão inadiável: o Estado Democrático de Direito não tolera pré-julgamentos, tampouco execração pública promovida pelos ‘tribunais da internet'”.

“O princípio constitucional da presunção de inocência deve ser a regra, e não a exceção”, defendem os advogados.

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Assuntos celular, Daiane Alves de Souza, Goiás, homicídio, síndico
Valmir Lima 19 de fevereiro de 2026
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