
O presidente do Cieam (Centro das Indústrias do Estado do Amazonas), Wilson Périco, questionou o crescimento de 22% na produção da indústria no Amazonas, apontado em pesquisa divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Périco disse na manhã desta quarta-feira, 11, durante entrevista a uma emissora de rádio de Manaus, que o crescimento apontado pelo IBGE é irreal e que a produção industrial continuou em queda de 10% em março deste ano em comparação ao mesmo período do ano passado.
De acordo com Wilson Périco, o crescimento de 22% apresentado em março pelo IBGE em função de um aquecimento econômico de 100% no segmento de bebidas, é em comparação ao mês de fevereiro deste ano que tem menos dias que o mês subsequente.
“O grande diferencial nesse comparativo é a quantidade de dias uteis entre os dois períodos. Fevereiro foi um mês em que tivemos Carnaval e apenas 17 dias uteis, enquanto no mês de março foram 22 dias uteis o equivale a 30% a mais de dias uteis para que você possa fazer esse comparativo. Na hora que você apresenta um crescimento de 22% quando você compara a quantidade de dias uteis que tivemos esse crescimento não é real”, questionou o Périco.
O presidente da Cieam citou como exemplo os produtos eletroeletrônicos e de informática que mesmo o mês de março tendo dias uteis acima que o mês anterior, os índices apontam queda na produção e que a situação econômica do Amazonas continua complicada.
Com a queda da produção dos produtos eletrônicos que são responsáveis tradicionalmente pela sustentação das vendas do OIM (Polo Industrial de Manaus), principalmente os televisores, juntamente com os aparelhos de DVD e de home theater, que apontaram queda de 32,4% juntamente com o setor de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos, nos últimos 12 meses, no geral, a produção industrial do Amazonas amargou queda de 18% nesse período, a pior do País, conforme pesquisa do IBGE , divulgada nesta terça-feira (10).
Por isso, na avaliação de Périco, o momento econômico turbulento que o país vive é reflexo da insegurança causado pela falta de instabilidade política que o Brasil passa e que no momento está sem governabilidade.
Ele criticou a presidente Dilma Rousseff que na sua avaliação até hoje não teve condições de apresentar e aprovar nenhuma medida de recondução dos rumos da economia do pais. “A insegurança passa pelo desemprego e as pessoas perderam o poder de compra. Quem está empregado, infelizmente não tem a segurança que permanecerão no emprego e retraem as suas despesas gastando apenas com produtos de primeira necessidade que não são os produtos que nós produzimos aqui. Com isso se retrai o consumo e com menor consumo menor demanda por novos produtos, com menos atividades nas linhas de produção aumenta o risco de mais desemprego”, afirmou.
Questionado se por conta da falta de governabilidade no país que vem agravando a crise econômica, ele era a favor do impeachment da presidente Dilma, Wilson Périco foi diplomático.
“Eu sou a favor de uma mudança. Nós precisamos implementar uma mudança nos rumos do país e isso se faz politicamente. Infelizmente no Brasil tudo se resolve politicamente e isso passa pela saída de presidente e assume o vice-presidente (Michel Temer) que também fez parte desse governo, mas que parece ter condições de apresentar as medidas de correção necessária e fazer com que as medidas econômicas sejam aprovadas no Congresso”, disse.
Mas, apesar da possibilidade de mudanças no governo e nos rumos da economia do país, Wilson Périco foi pessimista em relação a recuperação econômica do Brasil que ele acredita que só deve se instabilizar a partir de 2018. Ele disse que o momento que estamos vivendo não foram equívocos de seis meses atrás. Foram uma série de erros adotados por esse governo que deixou de fazer os investimentos necessários de infraestrutura no país e preferiu investir fora daqui com os recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômica e Social) que é dinheiro do nosso povo. “O pais passa por uma situação que você não vê em lugar nenhum do mundo. Estamos em recessão e num processo inflacionário crescente. Por isso, o resgate também não se dá a curto prazo. Serão necessárias várias medidas acertadas para que possamos estabilizar esse processo de queda para depois pensarmos em resgate. E isso no nosso entendimento não acontece em dois na os. O ano de 2016 já está perdido e 2017 só deve ter crescimento da economia se medidas forem tomadas de recondução e resgate da credibilidade e acredito que somente em 2018 vamos ter a estabilização e um processo de retomada econômica antes disso acho muito difícil”, afirmou em tom de pessimismo.
Mudança da matriz econômica do Amazonas
O presidente da Cieam, Wilson Périco também sugeriu que o Amazonas já deveria ter migrado para uma nova matriz econômica no Estado. Ele disse que o momento é de repensar os rumos da economia do Amazonas que não pode continuar tão dependente como é hoje do Polo Industrial de Manaus. “Cerca de 95% da arrecadação de ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) vem da capital. Temos outros 61 municípios que não geram riqueza, mas tem potencialidade de gerar atividade econômica. Precisamos desenvolver atividades econômicas além dos muros da capital e nos tirar dessa situação de reféns de Brasília em relação aos PPB (Processo Produtivo Básico) que são aprovados em Brasília para que outros produtos possam ser produzidos na Zona Franca de Manaus e que afetam a nossa vida. É muito difícil a gente aprovar PPB com o lobby contrário que vem de outras regiões do país”, explicou.
