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Dia a Dia

Amazonas é o primeiro em suicídio e segundo em homicídios de indígenas

29 de julho de 2025 Dia a Dia
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Maloca de indígenas isolados no Vale do Javari, no Amazonas: violência atinge povos originários (Foto: Acervo/Funai)
Do ATUAL

MANAUS – O Amazonas é o primeiro estado em número de suicídios, 75 casos, e o segundo em número de assassinatos de indígenas em 2024 com 45 mortes registradas, segundo o Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil elaborado pelo Cimi (Conselho Indigenista Missionário). Mato Grosso do Sul (42) e Roraima (26 suicídios) completam a lista dos três primeiros.

Os dados são do SIM (Sistema de Informação sobre Mortalidade) e registros das secretarias estaduais de saúde da Sesai (Secretaria Especial de Atenção à Saúde Indígena).

“Estes mesmos estados, que há anos lideram os números de suicídios indígenas, também são palco de elevados índices de violência e de vulnerabilidade social. Há ausência ou insuficiência de políticas públicas que abordem o tema”, afirma o Cimi.

“A maioria (73%) dos suicídios são cometidos por homens indígenas. Destaca-se, também, a alta incidência de casos entre indígenas de até 19 anos (32,2%), muito próxima da faixa que acumula mais casos, entre 20 e 29 anos (37,5%). Em 2024, 67 indígenas com até 19 anos de idade cometeram suicídio”, acrescenta a entidade.

No caso dos assassinatos, o relatório registra que a causa é a luta de comunidades indígenas pela demarcação de suas terras. “Nesse contexto, o que se destaca é a questão da violência. Ano após ano, o poder público não cria uma política para intervir no problema”, diz o Cimi.

“Nesse contexto, o que se destaca é a questão da violência. Ano após ano o poder público não cria uma política para intervir no problema. O relatório do Cimi mostra uma realidade estrutural, ou seja, não é tão somente restrito a um problema de saúde pública, mas também um caso de descaso do poder público. Por outro lado, há uma necessidade de preparar profissionais para lidar com essas situações”, diz Nonato Pereira, professor de Antropologia da Ufam (Universidade Federal do Amazonas).

O Estado de Roraima é o primeiro com 57 assassinatos registrados, Mato Grosso do Sul é o terceiro com 33 registros e a Bahia o quarto com 23 registros.

Além de ferimentos resultantes de ataques, seja agressão física ou tiros, indígenas relataram casos de discriminação no atendimento médico em hospitais, segundo o Cimi.

As situações de “violências por omissão do poder público” registradas, colocam também o Amazonas em primeiro lugar, com 75 casos, seguido de Mato Grosso do Sul (42) e Roraima (26).

O número de mortes de crianças de zero a quatro anos de idade no ano passado foi de 274 casos no Amazonas. Em Roraima foram 139 e no Mato Grosso, 127. As causas foram gripe, pneumonia, diarreia, gastroenterite e doenças infecciosas intestinais e por desnutrição.

“Com a seca severa, vários territórios indígenas do Amazonas se viram impactados pela falta de água e consequente diminuição da alimentação, num contexto em que a população obtém seu sustento majoritariamente do peixe dos rios”, diz o Cimi no relatório.

Os municípios mencionados no relatório foram: Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Tabatinga, Tefé, Itapiranga, Pauini, Autazes, Boca do Acre, Lábrea, Silves, Parintins, Itacoatiara e Manaus.

Confira o relatório na íntegra.

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Assuntos Amazonas, Cimi, destaque, indígenas, violência contra indígenas
Milton Almeida 29 de julho de 2025
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