
MANAUS – Nossas ações e comportamentos são moldados por uma variedade de fatores, incluindo usos, costumes, cultura e a maneira como percebemos o mundo. Entre esses influenciadores, os vieses inconscientes desempenham um papel significativo. Eles são preconceitos incorporados em nosso cotidiano, baseados em estereótipos de gênero, raça, classe, orientação sexual, idade e outros aspectos. Esses vieses afetam nossas ações e desencadeiam julgamentos, muitas vezes sem que tenhamos consciência disso.
Marshall B. Rosenberg, criador da Comunicação Não Violenta, afirma que “toda violência é o resultado das pessoas enganarem a si mesmas, acreditando que a dor delas deriva de outras pessoas e que, consequentemente, essas pessoas merecem ser punidas.” Essa perspectiva ressalta como nossas interpretações e julgamentos, influenciados por vieses inconscientes, podem levar a comportamentos prejudiciais
Para evitar as armadilhas desses vieses, é essencial praticar a auto-observação e questionar nossas primeiras impressões e conclusões. Como líderes, enfrentamos diariamente situações em que somos impelidos a recrutar nossos vieses inconscientes para julgar e avaliar circunstâncias. Devemos ser prudentes e nos questionar sobre a fonte de nossos julgamentos e interpretações.
Lúcia Barros, estudiosa da Ciência da Felicidade e criadora do método RGP (Reprogramação Geral da Presença), afirma que colocar-se no lugar do outro para entender as razões por trás de suas opiniões e comportamentos permite que decisões sejam tomadas de forma mais inclusiva e justa.
A socióloga Débora Diniz, que tem abordado questões ligadas à diversidade e aos direitos humanos, reforça em seus estudos a ideia de que compreender o ponto de vista do outro é um ato de justiça social, especialmente em uma sociedade marcada por desigualdades estruturais. Essa escuta ativa e respeitosa é essencial para combater preconceitos e construir pontes em vez de muros.
Quem lidera pessoas deve ficar atento aos vieses inconscientes na hora de julgar situações para não cometer injustiça com seus liderados. Reconhecer que todos possuímos vieses inconscientes é o primeiro passo para mitigar seu impacto. Não existem escolhas totalmente imparciais, mas podemos identificar quando nossos vieses estão contaminando nossa percepção do mundo. Estar aberto à possibilidade de revisar nossas posturas e modelos mentais é fundamental para promover uma comunicação mais empática e eficaz.
É comum associar as pessoas com base na procedência delas. Ao dizer, por exemplo, que o “caboclo é preguiçoso”, “asiáticos são inteligentes”, “mulheres não sabem dirigir, mas sabem fofocar”, estamos rotulando as pessoas e isso pode ser um muro para que possamos construir relações. Portanto, fique atento aos padrões do cérebro de rotular conforme o pensamento comum.
A comunicação começa nos pensamentos. Portanto, devemos prestar atenção ao que estamos pensando. Ao nos tornarmos mais conscientes de nossos vieses e trabalharmos ativamente para superá-los, podemos melhorar nossas interações e promover um ambiente mais inclusivo e compreensivo.
Roseane Mota é jornalista, formada pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e aluna do programa mentorado Bússola Executiva. É servidora pública do quadro efetivo do Estado e coordenadora de Comunicação na Unidade Gestora de Projetos Especiais - UGPE, do Governo do Amazonas.
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