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Política

Dilema político de Bolsonaro é manter candidatura ou apoiar Tarcísio em 2026

27 de março de 2025 Política
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Jair Bolsonaro
Ex-presidente Jair Bolsonaro gera impasse no PL com possível prisão e indefinição sobre candidatura (Foto: Reprodução)
Por Gabriel Hirabahasi, do Estadão Conteúdo

SÃO PAULO – Integrantes do PL e aliados de Jair Bolsonaro veem nas últimas atitudes do ex-presidente um político com receio do processo do qual é alvo no STF (Supremo Tribunal Federal) por, supostamente, participar de uma organização criminosa que tentou dar um golpe de Estado no país.

Esse medo, de acordo com aliados, poderia ter como consequência a escolha do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como seu candidato à Presidência da República no ano que vem, isso dentro de uma articulação que poderia ter como resultado uma anistia, junto dos demais acusados do 8 de Janeiro de 2023.

O Broadcast Político, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, colheu as informações em conversas com integrantes do PL e aliados de Bolsonaro realizadas desde a manifestação promovida pelo ex-presidente no Rio de Janeiro, em 16 de março.

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal aceitou nesta quarta-feira, 26, a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e tornou Bolsonaro réu por tentativa de golpe de Estado. A denúncia envolve, ainda, outras sete pessoas, que também serão julgadas junto de Bolsonaro no Supremo.

Para além do discurso público de que Bolsonaro é alvo de uma perseguição por parte no Judiciário, especialmente pelo ministro  Alexandre de Moraes, algumas atitudes do ex-presidente chamaram atenção de alguns integrantes de seu partido. A principal delas é a insistência em manter sua candidatura à Presidência no ano que vem. Eles admitem, reservadamente, que dificilmente Bolsonaro será inocentado ao final do processo no STF.

Bolsonaro tem evitado ao máximo falar sobre a possibilidade de não ser candidato nas eleições de 2026. Independentemente do processo no STF, o ex-presidente está inelegível por uma condenação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por abuso de poder político na campanha de 2022. Nos bastidores, porém, alguns políticos têm atuado para tentar convencer Bolsonaro a apontar, ainda neste ano, um eventual substituto na disputa presidencial do ano que vem. Essa articulação, até o momento, não surtiu efeito.

Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda. na segunda-feira (24), Bolsonaro e Tarcísio reforçaram, lado a lado, o plano de que o primeiro seja candidato à Presidência da República e o segundo, ao governo de São Paulo. “Eu não vou passar bastão para ninguém”, disse. “Eu só passo o bastão depois de morto”, completou.

O principal entrave para que o governador seja o candidato de Bolsonaro nas eleições do ano que vem é que ele teria de deixar o Palácio dos Bandeirantes em abril, no prazo de desincompatibilização exigido pela lei eleitoral. Isso seria um empecilho caso Bolsonaro opte por uma estratégia parecida com a de Luiz Inácio Lula da Silva em 2018, quando o petista, mesmo preso e inelegível, levou sua candidatura até o limite e só desistiu quando não havia mais possibilidade de recursos ao TSE, indicando o agora ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como seu candidato no pleito.

Integrantes do PL, no entanto, dizem acreditar que o medo de ser preso – e permanecer na prisão – pode fazer com que o ex-presidente mude de ideia até o fim do ano, principalmente se a articulação em torno do projeto de lei de anistia pelo 8 de Janeiro de 2023 não for adiante. Tarcísio é visto, pelo núcleo de políticos mais experientes que auxiliam e aconselham Bolsonaro, como um dos melhores substitutos para o ex-presidente, caso ele não consiga ser candidato no ano que vem.

A queda de popularidade do presidente Lula, registrada em pesquisas recentes, não engana integrantes do PL. Alegam que a força que a máquina pública tem nas eleições não pode ser desprezada. Tarcísio seria um dos nomes testados politicamente com mais chance de vencer Lula no ano que vem, segundo avaliam fontes ouvidas pela reportagem. Em um cenário em que Bolsonaro esteja preso como punição pela articulação golpista de 2022, caberia a Tarcísio, caso eleito presidente, dar um indulto que beneficie seu aliado.

Outras decisões nas últimas semanas corroboram para essa interpretação de alguns dos aliados de Bolsonaro de que o ex-presidente está com medo de ser preso e tem cometido erros de avaliação política. A manifestação em Copacabana, no Rio, por exemplo, foi vista nos bastidores como um erro. Publicamente, aliados do ex-presidente dizem que o ato foi um sucesso, por mais que cálculos feitos por pesquisadores da USP mostrem a participação de cerca de 18 mil pessoas no ato. Limitar o evento à defesa da anistia para os condenados pelos atos golpistas do 8 de Janeiro foi encarado como um equívoco.

O assunto, no entendimento de integrantes do PL que evitam se classificar como “bolsonaristas”, não é unânime na sociedade. Para eles, muito menos pessoas vão se dispor a sair às ruas para pedir o perdão de pena de todos os envolvidos na depredação das sedes dos Três Poderes em Brasília. A insistência no tema por parte de Bolsonaro, que pediu que o movimento tivesse como pauta única o perdão das penas pelos atos golpistas, seria mais um sinal de que o ex-presidente tem como prioridade número um evitar sua prisão.

Outra atitude errática, ainda de acordo com integrantes do partido, foi a saída de Eduardo Bolsonaro do país nas últimas semanas. O deputado federal anunciou que pediria licença do cargo e que não retornaria ao Brasil, sob a alegação de que o STF promove uma perseguição contra ele e outros bolsonaristas.

Eduardo é apontado como um possível substituto de seu pai na disputa presidencial do ano que vem. Sua saída para os Estados Unidos foi uma surpresa para vários integrantes de seu partido e, no entendimento de alguns aliados do ex-presidente, deixa o cenário ainda mais nublado para o ano que vem.

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Assuntos Eleições 2026, Jair Bolsonaro, PL, Tarcísio de Freitas
Cleber Oliveira 27 de março de 2025
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