
Por Feifiane Ramos, do ATUAL
MANAUS — Ao lançar a campanha ‘Feminicídio zero — Nenhuma violência contra a mulher deve ser tolerada’, nesta quinta-feira (19) em Manaus, a ministra da Mulher, Cida Gonçalves, afirmou que essa violência é efeito do ódio. A mobilização é para envolver a sociedade a combater a violência. A solenidade ocorreu na ALEAM (Assembleia Legislativa do Amazonas).
“Nós não podemos tratar a violência contra as mulheres isoladamente, cada um no seu cantinho, é preciso pensar uma estratégia, o que está acontecendo […] o governo trabalha em cima de dados, em cima de ciência, em cima de realidade. E os dados nos mostraram que o aumento da violência tem a ver com o aumento de ódio que está colocado nesse país”, disse a ministra.
A campanha foi lançada no dia 7 de agosto pelo Ministério da Mulher em parceria com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. A data foi escolhida por coincidir com o aniversário de 18 anos da Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006, e considerada uma das maiores leis criadas no Brasil, conforme citou a ministra.
Cida Gonçalves visitou a obra da Casa da Mulher Brasileira, que está sendo construída no bairro Petrópolis, zona sul da capital amazonense, financiada pelo governo federal.
“Se o governo federal pegar todo o recurso que ele tem e colocar no Ministério da Mulher e me autorizar a fazer 5.600 casas da mulher brasileira no país, a minha pergunta é se nós vamos dar conta de acabar com a violência contra a mulheres. Não vamos. É esse debate que estou querendo fazer com sociedade sobre o feminicídio zero. Isso não pode ser um problema só do governo. Esse tem que ser um problema da sociedade brasileira, e é isso que é o Feminicídio Zero”, disse a ministra.
Cida explicou que além de conscientizar a sociedade sobre a luta para enfrentar a violência contra a mulher, é preciso também melhorar, por exemplo, as estruturas de delegacias especializadas para atendimento.
“O grande debate que queremos fazer com o feminicídio zero é ir além da patrulha, de equipar as delegacias especializadas, porque o que elas têm hoje, afora a vontade das delegadas, é quase nada. Não tem equipamento bom, não tem viatura boa, não tem equipe, não tem material para fazer investigação necessária para que nós possamos dar conta daquilo que é violência contra a mulher”, disse a ministra.
Cida Gonçalves anunciou que a campanha vai mostrar que as pessoas podem de alguma maneira evitar que ocorra um feminicídio, por exemplo, denunciando. “Temos que trabalhar na perspectiva da prevenção, nós não podemos trabalhar só com o crime”.
“Nós precisamos que o vizinho se meta, nós precisamos que as amigas se metam, nós precisamos que as pessoas falem, nós precisamos incentivar que as meninas, que as mulheres falem com a mãe, com a irmã, com qualquer um, porque qualquer um tem condições de ajudar salvar aquela vida, inclusive, o governo, mas sozinhos nós não damos conta. Nós não podemos mais ficar calados”, disse.
No final do discurso, a ministra enfatizou ser necessário que a sociedade precisa “mudar de comportamento para salvar a vidas”, se referindo a uma das metas do feminicídio zero, mudar a maneira de como as pessoas veem a violência.
A cerimônia de lançamento contou com a participação de mulheres envolvidas na causa de combate à violência contra a mulher, delegadas, juízas e mães de vítimas de feminicídios. solenidade foi proposta pela deputada estadual Alessandra Campelo, presidente da Procuradoria Especial da Mulher na ALEAM.
