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Política

Gilmar manda retomar investigação sobre omissão de Bolsonaro na pandemia

10 de julho de 2023 Política
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Gilmar Mendes, ministro do STF
O ministro Gilmar Mendes mandou reabrir ações contra Bolsonaro por omissão na pandemia (Foto: Fellipe Sampaio/STF)
Por José Marques, da Folhapress

BRASÍLIA – O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), anulou uma decisão da Justiça Federal no Distrito Federal que arquivou parte de uma investigação sobre suspeitas de irregularidades e omissões cometidas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e por integrantes da sua gestão durante a pandemia da Covid-19.

Na decisão, que está em segredo de Justiça e à qual a reportagem teve acesso a trechos, Gilmar afirma que o arquivamento das investigações não poderia ter sido decidido pela Justiça Federal, mas sim pelo Supremo, já que parte dos alvos tinha foro especial.

São alvos da investigação, além de Bolsonaro, o ex-ministro da Saúde e deputado federal Eduardo Pazuello (PL-RJ), o ex-número dois da Saúde coronel Elcio Franco, o ex-secretário de Comunicação da Presidência Fabio Wajngarten e Mayra Pinheiro, a “capitã cloroquina”, ex-secretária do Ministério da Saúde.

A apuração trata de suspeita da prática de crimes como epidemia com resultado morte, emprego irregular de verbas pública, prevaricação e comunicação falsa de crime.

Gilmar determinou que o procurador-geral da República, Augusto Aras, avalie se há ou não indícios de crimes nas condutas dos investigados.

A investigação foi aberta a partir das apurações feitas pela CPI da Covid no Senado.

Uma procuradora da República, Marcia Brandão Zollinger, havia pedido à Justiça no ano passado o arquivamento parcial do caso porque entendeu que não havia elementos contra Pazuello, Elcio e Mayra. Como é praxe, o pedido do Ministério Público foi aceito.

Ela solicitou, à época, apenas o envio à PGR de investigação sobre Wajngarten “em razão da omissão em informar à população sobre medidas para diminuir as chances de contrair Covid-19 e da campanha institucional de nome ‘O Brasil não pode parar'”.

No ano passado, a vice-procuradora-geral, Lindôra Araújo, pediu ao Supremo arquivamento das principais frentes de investigação decorrentes do trabalho da CPI da Covid, o que foi visto como uma vitória de Jair Bolsonaro e sepultamento da comissão parlamentar de inquérito.

A manifestação de Lindôra, apontada pela oposição como “testa de ferro” do procurador-geral da República, Augusto Aras, era a favor de livrar Bolsonaro de suas cinco principais acusações no relatório final da CPI.

Entre elas, ser relacionado ao aumento de mortes na pandemia, além dos crimes de prevaricação, charlatanismo, uso irregular de verbas e infração de medidas sanitárias.

Neste ano, tentando se cacifar para ter voz na sua sucessão, Aras antecipou em vídeos divulgados no YouTube a prestação de contas sobre o que considera ser seu legado, priorizando temas caros ao governo do presidente Lula (PT) e, ao mesmo tempo, buscando se afastar de seu alinhamento a Bolsonaro.

Ele rebateu críticas ao fato de não terem sido apresentadas denúncias a partir do relatório da CPI da Covid, após a Procuradoria concluir pela insuficiência de provas no material compartilhado pela comissão do Senado. “O procurador-geral e todos os colegas que atuaram cumpriram rigorosamente com seus deveres”, afirmou. “É preciso distinguir a retórica política do discurso jurídico”.

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Assuntos Gilmar Mendes, Jair Bolsonaro, pandemia de Covid-19
Cleber Oliveira 10 de julho de 2023
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