
Do ATUAL
MANAUS – A Polícia Civil do Amazonas prendeu, na segunda-feira (10), sete homens e duas mulheres que sequestraram e mantiveram em cárcere privado duas irmãs por cinco dias. Para libertá-las, o grupo pedia a transferência de um imóvel para o nome de uma mulher que, segundo a polícia, integrava o grupo criminoso. O apartamento desejado pelo grupo e o imóvel usado como cativeiro ficam no Residencial Viver Melhor, na zona norte de Manaus.
“Fomos procurados por uma família cujas filhas de 18 e 9 anos de idade estavam sendo mantidas refém em um apartamento no Monte das Oliveiras e a família estava sendo coagida a transferir o seu imóvel a uma mulher indicada por essa organização criminosa”, disse a delegada Deborah Barreiros, da Delegacia de Homicídios e Sequestros de Manaus, em entrevista a jornalistas nesta terça-feira (11).
De acordo com a delegada, na quarta-feira (5) integrantes do grupo invadiram o apartamento das vítimas e as sequestraram. “Pelo menos três ou quatro pessoas invadiram o apartamento e ameaçaram a família. Num primeiro momento levaram a moça maior de idade. Depois buscaram a criança”, relatou Barreiros.
A criança e a jovem foram levadas para um apartamento que fica no mesmo conjunto habitacional. Segundo a delegada, uma pessoa alugou por R$ 500 o imóvel que serviu como cativeiro.
As vítimas não relataram tortura ou quaisquer maus tratos, “mas tiveram a sua liberdade restringida e só foram liberadas com a chegada da polícia”, disse Barreiros.
Para libertar as irmãs, o grupo pediu à mãe delas que o apartamento fosse transferido para o nome de uma mulher que integrava o grupo criminoso. A mãe exigiu uma prova de que as filhas estavam vivas, e os criminosos decidiram levá-las para o estacionamento de um shopping na zona norte de Manaus. No mesmo local, em um cartório, a mulher iria efetivar a transferência do apartamento para a pessoa indicada.
“Essa mãe foi obrigada a ir num shopping da cidade onde tem um cartório. Nesse momento, as filhas foram levadas ao seu encontro como prova de que elas estavam vivas, e foi o momento em que a Polícia Civil foi ao local e fez o flagrante no estacionamento do shopping”, disse Barreiros.
A delegada descartou participação de funcionários do cartório na ação criminosa.
A polícia prendeu, inicialmente, quatro pessoas no shopping. Depois, localizou outras cinco. “Três pessoas estavam ali [no estacionamento do shopping] para garantir que essa transação ocorresse. Dentro do cartório existia mais uma mulher, membro da organização, que era a pessoa para quem o apartamento iria ser passado”, afirmou Barreiros.
Agentes foram até o local que funcionou como cativeiro e lá encontraram arma de fogo e drogas. “Nesses locais, nós encontramos outro tipo de material, comprovamos a veracidade dos fatos de que realmente o local era usado como cativeiro. Foi encontrado arma de fogo e farto material entorpecente”, disse a delegada.
A polícia suspeita que o grupo buscava obter o imóvel para usá-lo para o tráfico de drogas.
“Eles [presos] dão várias versões, mas o fato é que nenhuma justifica que você obrigue uma família a sair de sua residência e que ainda transfira [o imóvel] legalmente para dar um ar de formalidade em um negócio desse absolutamente escuso”, disse Barreiros.
Alguns deles tinham passagem pela polícia.
De acordo com a delegada, o grupo responderá pelos crimes de organização criminosa, extorsão mediante sequestro, tráfico de drogas e porte de ilegal de arma de fogo.
