
Por Felipe Campinas, do ATUAL
MANAUS – O juiz Luís Alberto Albuquerque, da Central de Plantão Criminal de Manaus, decretou, nesta quinta-feira (9), a prisão preventiva de José Antônio Silva de Souza, de 33 anos, e de Lucas dos Santos Conceição, de 25 anos. Eles são suspeitos do sequestro e extorsão de uma nutricionista no estacionamento do shopping Ponta Negra, zona oeste de Manaus, na terça-feira (7).
O crime ocorreu quando a mulher chegou no estacionamento do shopping. Ela disse à polícia que um homem armado a abordou e ordenou que ela abrisse a porta do veículo. Depois, ele e outro indivíduo a colocaram no banco de trás e passaram a pedir dinheiro e fazer ameaças de morte. Ela transferiu R$ 8 mil ao grupo criminoso através de contas de terceiros.
Após o roubo, a nutricionista foi deixada na frente de uma escola no bairro Santo Agostinho, zona oeste de Manaus. Os criminosos ordenaram que ela ficasse de cócoras e com a cabeça abaixada e fugiram. Ela recebeu ajuda de populares para ligar para o marido e para a polícia. O carro dela foi encontrado por policiais em outra rua no mesmo bairro. Não havia ninguém no veículo.
José foi preso na manhã de quarta-feira (8) no bairro Nova Cidade, na zona norte de Manaus, após a polícia identificar que o carro dele foi usado para dar suporte na ação criminosa. Imagens do sistema de Segurança Pública do Amazonas registraram o veículo dele, Honda Fit, seguindo o carro da nutricionista, um Volkswagen T-Cross, no momento em que estava sendo sequestrada.
Lucas foi apontado por José como participante do sequestro. Ontem à tarde, após receberem denúncias de onde ele morava, policiais militares foram até a casa dele, no bairro Compensa, zona leste da capital, e o prenderam. Os agentes encontraram, no banheiro da residência, uma arma de fogo, que os investigadores suspeitam ser a mesma usada para extorquir a nutricionista.
A polícia procura por um terceiro suspeito, identificado por Lucas como “Vanderjan” e por José como “Bob”. “Esse terceiro elemento que falta ser identificado e preso agora é o que estava dirigindo o carro da vítima”, afirmou o delegado Rafael Costa e Silva, do 19º DIP (Distrito Integrado de Polícia), em entrevista a jornalistas nesta quinta-feira (9).

“Clamor público”
Na audiência de custódia realizada na tarde desta quinta-feira (9), José e Lucas disseram ao juiz Luís Alberto Albuquerque que foram agredidos por policiais que realizaram as prisões. Lucas disse que sofreu corte nos pés, teve uma unha arrancada e levou murros, e José falou que levou tapas dos agentes. O juiz não se manifestou sobre essas acusações.
Ao decretar a prisão preventiva da dupla, Albuquerque considerou a gravidade do crime, que comoveu a população. “Sabe-se que a conduta imputada aos indigitados agentes provocam acentuado impacto na sociedade e ganha rapidamente repercussão negativa e causa clamor público, como de fato ocorreu na cidade de Manaus”, disse o magistrado.
A manutenção da dupla na cadeia, segundo o juiz, visa garantir a ordem pública. Ele mencionou que Lucas tem duas condenações, sendo uma pelo crime de tentativa de latrocínio e a outra por roubo majorado e corrupção de menores. Para o magistrado, isso evidencia “a alta probabilidade” do preso “voltar a delinquir se solto ficar”.
Além disso, a prisão busca garantir o andamento das investigações. “Importante, ainda, a segregação dos agentes para que possibilite a correta e eficaz coleta de provas durante a instrução do processo, evitando alteração da verdade que se busca, o que justifica de igual forma o reconhecimento da medida acauteladora ora pleiteada”, afirmou Albuquerque.
