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Política

PT quer Republicanos na base de Lula; líderes do partido resistem

3 de janeiro de 2023 Política
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Congresso
Congresso Nacional: PT quer apoio do Republicanos ao governo (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)
Por Thiago Resende e Julia Chaib, da Folhapress

BRASÍLIA – O PT tentará atrair o Republicanos para a base do governo no Congresso ainda em 2023 e, numa prévia dessa negociação, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dizem que irão fazer acenos ao partido.

Integrantes do Republicanos afirmam, porém, que a maior parte da bancada na Câmara resiste a uma aliança com os petistas. A adesão, acreditam, só deverá avançar se houver uma negociação por espaço no primeiro escalão do novo governo.

Para evitar uma derrota na votação da PEC da Transição, interlocutores de Lula procuraram cardeais do Republicanos. No diálogo, segundo negociadores do presidente, o PT indicou que irá apoiar a candidatura de Jhonatan de Jesus (Republicanos-RR) para a vaga aberta no TCU (Tribunal de Contas da União).

Outro aceno deve ser a sustentação à candidatura do presidente do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), para a primeira vice-presidência da Câmara na eleição de fevereiro.

Há uma disputa entre Republicanos e PL, que terá a maior bancada da Câmara, pela vice-presidência da Casa. Os dois partidos são próximos do presidente Arthur Lira (PP-AL), que tem se fortalecido na campanha à reeleição.

As demandas do Republicanos foram colocadas à mesa de negociação com o PT às vésperas de uma votação de interesse de Lula – um dispositivo na PEC da Gastança para facilitar a revogação do teto de gastos em 2023. O acordo acalmou a bancada do Republicanos e o novo governo conseguiu manter esse trecho.

Auxiliares de Lula admitiram as negociações e a intenção de intensificar o diálogo com o Republicanos, que terá 41 votos na próxima legislatura – quase o mesmo número do PSD, que recebeu três ministérios do novo governo.

A avaliação entre aliados de Lula é que será necessário refazer a formulação da Esplanada dos Ministérios para dar espaço ao Republicanos, que, por ora, seguirá com posição independente no Congresso.

O PT manterá sob seu controle dez ministérios, com algumas posições centrais como a Casa Civil e os ministérios da Economia e da Educação. Lula cedeu nove ministérios para partidos de centro em busca de governabilidade.

Líderes de bancadas que ainda não aderiram ao governo Lula, como PP e também do Republicanos, admitem, nos bastidores, que pretendem deixar o valor do passe subir e então cobrar faturas altas – de olho em pastas estratégicas e de elevado orçamento.

Lula cedeu ministérios ao MDB, PSD e União Brasil, que não tinham se aliado a ele durante a campanha eleitoral. Mas a articulação política do PT tem sido criticada por integrantes desses partidos, especialmente no PSD e União Brasil.

Segundo integrantes do PSD, interlocutores de Lula foram em um jantar do partido na última semana, às vésperas do anúncio da última rodada de ministros. Petistas deram o recado de que o PSD teria duas pastas, e não mais três, como haviam indicado anteriormente nas negociações.

A ideia do PT era que o próprio PSD escolhesse quem seria indicado, mas a mensagem era que Lula queria o senador Carlos Fávaro (PSD-MT) para o Ministério da Agricultura -o nome dele foi anunciado em 29 de dezembro.

O recuo na oferta feita ao PSD surpreendeu a sigla. Irritados, membros do partido chegaram a ameaçar que o PSD então não iria mais integrar a base do governo Lula e que não aceitariam a proposta de dois ministérios.

A negociação se arrastou pela noite e o PT cedeu. O PSD conseguiu amarrar as indicações para três pastas, mas uma ala do partido segue incomodada com a tentativa do PT de reduzir o espaço da sigla na Esplanada e com a inconsistência de negociações com auxiliares de Lula.

Foram então anunciados Alexandre Silveira (PSD-MG), para Minas e Energia, André de Paula (PSD-PE), para Pesca, além de Fávaro.

A União Brasil, no saldo final, também ficou com três ministérios. Daniela do Waguinho (RJ), no Turismo, Juscelino Filho (MA) para Comunicações, e, para Integração Nacional, foi Waldez Góes (AP) – ele é do PDT, mas foi indicado pelo senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

A principal rusga com o partido foi o veto de petistas à nomeação do líder da União Brasil na Câmara, Elmar Nascimento (BA), para algum ministério. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), também tentou fortalecer o nome de Elmar para o primeiro escalão de Lula.

Com isso, a União Brasil começará com posição independente ao novo governo – sem aderir à base política de Lula no Congresso. A estratégia do PT é fazer concessões e dar o poder a Elmar para indicar cargos de segundo escalão do governo.

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Assuntos base aliada, congresso nacional, republicanos
Cleber Oliveira 3 de janeiro de 2023
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