
EDITORIAL
MANAUS – As campanhas eleitorais de Lula (PT) e Bolsonaro (PL) esqueceram os problemas do país e partiram para discussões rasteiras de assuntos que não competem ao presidente da República. É preciso que voltem a debater os problemas do país e apresentem propostas para solucioná-los.
Logo após o primeiro turno das eleições, uma onda de inverdades e informações requentadas sobre temas ligados à chamada pauta de costumes invadiram as redes sociais, com repercussão na grande, média e pequena mídia brasileira.
Alimentar esse tipo de assunto é jogar o Brasil num debate improdutivo em que ninguém recorre à razão, mas apenas às emoções para tomar suas decisões.
Um desses temas é a religião. Mentiras como a ameaça ao fechamento de igrejas, a tentativa de ligar candidatos ao demônio ou a outras entidades do mal ganharam destaque entre os seguidores dos candidatos na rede.
O Brasil é um dos países em que mais se respeita a liberdade religiosa. A Constituição Federal deixa claro que o país é laico, o que significa que Estado deve se preocupar em proporcionar a seus cidadãos um clima de perfeita compreensão religiosa, e afastar ou banir qualquer tipo de intolerância e fanatismo.
Em 37 anos de redemocratização do país, a liberdade religiosa nunca esteve tão presente no debate político. Mas desde 2018, o tema foi trazido às campanhas eleitorais não por estar essa liberdade ameaçada, mas porque Bolsonaro e aliados enxergam nesse tema um campo fértil para ludibriar o eleitorado menos informado.
Outro tema presente na campanha eleitoral é o aborto. Bolsonaro tem batido nessa tecla, mas não diz que esse tema é exclusivo do Congresso Nacional, não uma decisão do presidente da República. O máximo que o presidente pode fazer é apresentar um projeto de lei ou emenda à Constituição, mas não decide sobre o tema.
A economia, sim, é um tema que interessa à população e que é prerrogativa do presidente da República. A população precisa saber se a inflação vai ser controlada, se o trabalhador assalariado vai recuperar o poder de compra, perdido nos últimos três anos.
Como o desemprego, o desamparo e a fome, que voltaram com força no últimos anos, serão combatidas a partir de 2023? Os candidatos têm propostas concretas?
O Brasil precisa urgentemente elevar o nível da educação, com foco para o futuro. O que cada candidato tem nos seus planos de governo para inserir o país na nova ordem mundial, principalmente no campo da tecnologia? Haverá mais investimento em pesquisa e inovação?
Na segurança pública, é possível avançar no combate ao crime organizado e às drogas ilícitas? Armar a população é o caminho mais seguro ou o Estado deve ser fortalecido para proteger o cidadão? Com qual projeto o eleitor mais se identifica?
Essas questões são fundamentais no debate político. Qual dos candidatos tem o melhor projeto para essas questões? Haverá espaço nas campanhas para discutir esses temas? É o que os eleitores esperam.
Logicamente, o eleitorado mais fanático não será convencido pelo debate, porque a ele não interessa o debate, a decisão de voto já está tomada. Mas uma parcela da população que não nutre paixão por um ou outro precisa conhecer os projetos de cada um para tomar sua decisão.

