
Por João Victor Passos de Freitas, especial para o ATUAL*
Nunca antes uma eleição para o parlamento federal foi tão imprevisível no Amazonas. Nessa reta final das campanhas eleitorais, os candidatos mais competitivos se esforçam na conquista de votos em regiões estratégicas dos seus adversários.
Diante desse cenário, consideramos dois vetores que vem conduzindo os candidatos ao sucesso eleitoral: 1) voto de estrutura e 2) voto de opinião. No primeiro, estão os candidatos que recebem apoio de lideranças locais como prefeitos, vereadores e aspirantes a cargos no executivo. No segundo estão os candidatos que organizam suas campanhas a partir das plataformas de mídias sociais (Facebook, Instagram, Twitter e YouTube) para direcionar suas ideias a setores representativos que mantém um certo alinhamento com suas candidaturas.
Desde as eleições de 2014, quando as essas plataformas começaram a se popularizar entre os eleitores e passaram a ser um instrumento político essencial nas campanhas eleitorais, diversos analistas políticos acreditavam que os candidatos que dominassem essas ferramentas teriam maiores chances de vitória.
Entretanto, ao analisarmos o desempenho dos candidatos ao longo das eleições, levando em conta apenas o voto de opinião, constatamos que a previsão de vitória se torna uma incógnita.
Por outro lado, o voto de estrutura permite um maior grau de previsibilidade nas eleições. Os candidatos que tendem a ter uma estrutura (apoio de prefeitos e vereadores) conseguem resultados regulares a excelentes.
Na última eleição, marcada pela onda anticorrupção, os bolsonaristas Delegado Pablo (União Brasil) e Capitão Alberto Neto (PL), se destacaram com votações expressivas acima de 100.000 mil votos. Mesmo sendo histórico, as suas vitórias eram imprevisíveis, alcançada apenas por um fator específico do momento.
Com exceção dos dois deputados, todos os candidatos mais bem votados tiveram o vetor 1 como variável de explicação dos seus excelentes resultados: José Ricardo (PT), Átila Lins (PSD), Silas Câmara (Republicanos), Marcelo Ramos (PSD), Sidney Leite (PSD) e Bosco Saraiva (Solidariedade).
Nesta eleição, os candidatos com maiores chances de ingressar na Câmara dos Deputados são aqueles que dispõem de uma maior estrutura (primeiro vetor). Os deputados Átlias Lins e Silas Câmara são exemplos na utilização do voto de estrutura. Ambos têm mais de cinco mandatos consecutivos, resultado de alianças com prefeitos, vereadores, pastores e líderes comunitários. Isto não significa, todavia, que eles não utilizam as redes sociais para conquistar a admiração e os votos dos eleitores.
Outros candidatos podem surgir como surpresas com a utilização do segundo vetor. Os que mais se destacam nesta campanha são Amom Filho (Cidadania) e Wanda Witoto (Rede). Porém, sem o primeiro vetor presente, o sucesso dos candidatos que têm, exclusivamente, o voto de opinião, é um acaso.
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*João Victor Passos de Freitas é mestrando em Ciência Política pela Universidade Estadual de Campinas, graduado em Ciências Sociais pela UFAM e escreve e pesquisa sobre política na região Norte.
