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Política

‘Lula é a volta da esculhambação que o PT representa, e Bolsonaro, uma tragédia’, diz Ciro

18 de março de 2022 Política
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Ciro Gomes assume oposição a Lula, ex-aliado (Foto: Murilo Rodrigues/ATUAL)
Ciro Gomes assume oposição a Lula, ex-aliado (Foto: Murilo Rodrigues/ATUAL)
Por Cleber Oliveira, da Redação

MANAUS – Pré-candidato a presidente da República, Ciro Gomes (PDT-CE) assumiu oposição ao ex-aliado Luiz Inácio Lula da Silva, de quem foi ministro da Integração Nacional.

Em entrevista coletiva em Manaus nesta quinta-feira (17), Ciro Gomes atacou o ex-presidente a quem atribui “a volta da esculhambação que o PT representa”, considera a eleição de Bolsonaro uma “tragédia”, disse não ter nada a ver com as “viúvas” de Bolsonaro e afirma que, com base na leitura das pesquisas, pode tirar o presidente da disputa do segundo turno.

Confira os principais trechos da entrevista.

Terceira via

“Eu não tenho nada a ver com as viúvas do Bolsonaro. Onde é que eu estava em 2018? Eu estava candidato a presidente da República denunciando que a candidatura do [Fernando] Haddad (PT-SP) ia preparar o Brasil para uma tragédia, que era o Bolsonaro, e o povo brasileiro me deu ali a posição extremamente honrosa de ter tirado o terceiro lugar.

Essa é minha linha de comportamento. E não é porque eu sou contra eles, eu defendo outro modelo econômico e defendo outro modelo de governança política porque, se vocês repararem, vejam a tragédia brasileira. O Bolsonaro se filiou ao partido que é presidido pelo Valdemar Costa Neto, que foi o cara para quem o Lula deu o Dnit para ele roubar e ele foi condenado. Pagou cadeia no mensalão. O presidente do partido do Bolsonaro era o cara que trabalhava com o Lula que estava no escândalo do mensalão.

O Roberto Jefferson, que está preso, defendendo o Bolsonaro de forma agressiva, insultando o Supremo, foi o cara a quem o Lula deu os Correios para ele roubar. E ele detonou o escândalo do mensalão.

O Geddel Vieira Lima, daqueles 51 milhões de reais naquelas malas, o Lula nomeou ministro da Integração Nacional e depois a Dilma nomeou vice-presidente da Caixa Econômica”.  

Relações perigosas

“Agora, isso dá certo? Vou contar uma historinha. O Collor, primeiro presidente eleito brasileiro, governou com essa gente e foi cassado. O Fernando Henrique governou com essa gente e nunca mais ganhou uma eleição nacional, nem ele e nem o PSDB. O Lula governou com essa gente e foi preso. A Dilma governou com essa gente e foi cassada. O Michel Temer governou com essa gente e foi preso. E o Bolsonaro está governando com essa gente e está desmoralizado.

Ou a gente entende isso e livra o Brasil dessa bola de chumbo, de rancores, de ódio, de machões, e traz a discussão para um projeto nacional ou esse país vai ser exterminado.

Já estão exterminando o crédito público, já estão exterminando os empregos, já estão exterminando a soberania brasileira. Vejam a política de preços da Petrobras”.

Pesquisas eleitorais

“Pesquisa é retrato e a vida é filme. Qual é o retrato hoje? Se você sair na rua, pergunte ao povo se ele sabe que vai ter eleição e se já tem candidato. A maioria do povo ainda não está ligada nesse assunto. Portanto, as pesquisas tendem a refletir muito mais a notoriedade e a notoriedade é o seguinte: você tem um presidente da República que, por bem ou por mal, está todo dia na mídia. E tem um ex-presidente da República que é 100% conhecido e 100% odiado e 100% amado. Ninguém tem neutralidade em relação ao Lula. E eu estou meio que fora da grande mídia. O que isso quer dizer, é fácil pra mim? Não, não é fácil. A minha vida é muito mais difícil que a deles, porém é necessário.

Se o Brasil ficar nessa confrontação odienta de Lula contra Bolsonaro, a pergunta que eu faço é: o que vai acontecer no dia seguinte?

É a radicalização. São os olhos fazendo amigo brigar com amigo na internet, famílias se dissolverem por causa de radicalismo político, é fake News”.

Reeleição

“Esse país copiou a reeleição, que é um instituto absolutamente perverso. A reeleição na prática é um mandato de oito anos com um plebiscito no meio. Porque todo mundo, antes de ter outro candidato, examina se fica com o que está aí ou não porque ele está todo dia ali na mídia.

O Bolsonaro, aparentemente, pela primeira vez desde que se produziu a reeleição no Brasil, é o que será derrotado. Por que? Porque as proporções, em uma leitura mais complexa das pesquisas, o Bolsonaro tem uma média aí de 25%. O que quer dizer que, a luz desse plebiscito, 75% estão contra o Bolsonaro.

O Lula tem aproveitado na melhor hipótese 45%. Bolsonaro 25% e Lula 45%, significa que tem 30% do eleitorado brasileiro que, neste critério, não estão nem com um e nem com outro. E eu tenho 10% desses daí. Portanto, já tenho a estrada andada. Se eu conseguir galvanizar mais 8% e o Bolsonaro descer dos 25%, ele fica na minha alça de mira e eu tiro ele do segundo turno e permito ao país fazer uma discussão. Porque tem uma parte do eleitorado do Lula que está engolindo com casca e tudo o Lula porque quer se livrar do Bolsonaro. E uma parte do eleitor do Bolsonaro que está votando ainda no Bolsonaro, apesar de tudo, porque não quer a volta da esculhambação que o PT representa”.

Oposição a Lula

O Lula sabotou nosso esforço de fazer o impeachment do Bolsonaro. Eu fui para uma manifestação de rua, o Lula mandou os fascistas dele lá nos agredir fisicamente. E nunca mais aconteceu outra manifestação pelo impeachment do Bolsonaro. E por que? Porque o Lula quer que o país se desastre, desde a eleição passada, para ele voltar sem ter que explicar tanto a crise econômica que ele produziu, que é essa aí, quanto a esculhambação generalizada de corrupção feita como elemento central do comando de poder. E ele não aprendeu nada.

 O cara meteu o Michel Temer na vice de Dilma e deu no que deu. Agora tá se acertando com o Alckmin. Não é possível que o povo brasileiro esteja tão passivo. E eu sei que não está”.

Governança

“Todos os políticos se elegem com agenda popular, mas operam as instituições, especialmente o Congresso Nacional e a Presidência da República, mas o Judiciário também, em linha e com o lobby dos grupos de pressão dos barões. Como é que a gente sai dessa equação?

Eu tenho uma proposta clara. Primeiro; fazer das eleições não uma disputa de Chico contra Maria e contra Manel, fazer das eleições uma disputa de ideias porque você, ao votar em mim, vota na minha ideia que foi combatida, debatida, elogiada e você então me dá um voto para as minhas ideias. Isso diminui muito a distância entre um presidente reformista e um Congresso reativo. Por que? Porque o Congresso não vota contra o povo.

Depois o tempo da reforma. O presidente da República, no dia seguinte à eleição, tem um poder quase imperial. Então, tem que fazer a proposta em quase seis meses. Eu não tenho problema em negociar com deputados. Negociar é normal da democracia. Vou negociar.

Vou redesenhar o pacto de governadores e de prefeitos trazendo-os para a mesa de negociação. Porque o deputado precisa ter prestígio”.

Crise da Covid-19

“Morreram no Brasil, meus irmãos, quatro vezes a média de mortes no mundo. Qual é a explicação para o Brasil, um dos países que tem um sistema de saúde mais eficazes do mundo, que sabe fazer vacina há mais de cem anos, qual é a explicação para o Brasil ter quatro vezes a média de mortes no mundo?

Tem um presidente da República completamente desavergonhado falando contra a vacina hoje ainda”.

Impostos

“Eu proponho cobrar imposto sobre grandes fortunas. Sou o único. Agora, deixa eu dar um número para ver como esse país é sangrado. Se eu cobrar entre meio por cento e 1,5% de alíquota progressiva. Se eu cobrar apenas 1% sobre patrimônios acima de R$ 20 milhões, sabe quantos contribuintes eu vou achar: 58 mil em um país de 210 milhões de habitantes.

Isso é moleza. Você acha que os deputados vão votar contra? Só se eu deixar. Mas se eu for para a televisão e mostrar que vou arrecadar R$ 60 bilhões, com R$ 6 bilhões eu boto 1 milhão de crianças pobres em creches de tempo integral. Cuidando da criança na hora crítica em que ela vai montar a engenharia do cérebro dela e dando oportunidade ao pai, principalmente a mãe, de ir para a batalha da vida sabendo que o filho está bem cuidado. Eu quero é ver deputado votar contra”.

(Colaboraram Kamila Amoedo e Murilo Rodrigues)

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Assuntos Ciro Gomes, Eleições 2022, Jair Bolsonaro, Lula
Cleber Oliveira 18 de março de 2022
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