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Dia a Dia

Nova palmeira é descoberta na Amazônia um século após últimas descrições

28 de fevereiro de 2022 Dia a Dia
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Mauritiella disticha - nova especie palmeira
A nova palmeira denominada Mauritiella disticha alcança até sete metros de altura (Fotos: Eduardo Prata e Marcos Amend/Inpa)
Da Redação

MANAUS – Cientistas brasileiros e estrangeiros com participação do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) descreveram uma nova espécie de palmeira do gênero Mauritiella, da família Arecaceae. As últimas descrições de palmeiras do gênero Mauritiella foram em 1935.

De pequeno a médio porte, a nova palmeira denominada Mauritiella disticha alcança até sete metros de altura, possui caule coberto de espinhos, folhas que seguem o modelo em leque e frutos ovais parecidos com os do buriti. Segundo o Inpa, não se tem relatos sobre formas de consumo do fruto, mas por ser muito similar às demais buritiranas e ao buriti é muito provável que seja consumido ou pelo menos adequado ao consumo humano.

Outro potencial da nova espécie é quanto ao uso no paisagismo: a inserção das folhas no caule é sempre no mesmo plano e em direções opostas, formando um padrão muito bonito e exclusivo desta espécie no gênero, uma das características que a distingue das outras espécies do gênero.

A planta foi encontrada pelos pesquisadores pela primeira vez na BR-319 (Manaus-Porto Velho-RO), em 2007, durante um levantamento de inventários florísticos. Um ano depois foi achada na rodovia Transamazônica. O processo de descoberta e descrição da nova espécie levou quase 15 anos.

O trabalho com a nova espécie foi publicado recentemente em artigo da revista da americana Systematic Botany. É assinado por  egressos dos cursos de Doutorado em Botânica e em Ecologia do Inpa, Eduardo Prata e Thaise Emilio, vinculados ao Laboratório de Ecologia e Evolução de Plantas da Amazônia, e Universidade de Campinas, respectivamente, pelo pesquisador Mario Cohn-Haft, e outros 13 autores de instituições do Brasil, Suécia, Alemanha, Holanda, Camarões, França e Reino Unido. A primeira autoria é compartilhada por Eduardo Prata e Maria Fernanda Jiménez, do Gothenburg Global Biodiversity Centre e do Department of Biological and Environmental Sciences, University of Gothenburg, ambos na Suécia.

De acordo com Prata, o achado científico no bioma mais biodiverso do planeta revela o quanto ainda há para se conhecer na flora Amazônica. “Isso reflete não apenas a elevada diversidade de espécies na Amazônia, como também o baixo número de taxonomistas e a escassez cada vez maior de recursos e investimento em pesquisa na região e no Brasil de uma maneira geral”, disse o biólogo. 

Outro fator importante no caso da Mauritiella disticha é que é relativamente fácil diferenciá-la pela aparência, de indivíduos de outras espécies. A nova palmeira tem algumas características morfológicas marcantes que se refletiram no nome dela, Mauritiella disticha:  a “filotaxia”, que é a distribuição das folhas umas em relação às outras e a “dística”, isto é, as folhas estão inseridas em sentidos opostos, num mesmo plano, e de forma alternada, formando uma espécie de “leque”. Além disso, a espécie também se difere de todas as outras do gênero pelo tamanho menor das escamas do fruto. 

O estudo envolveu uma equipe multidisciplinar e internacional, formada por ecólogos, botânicos, biogeografos e bioinformatas, que acessaram áreas remotas da floresta amazônica. A coleta de referência da espécie encontra-se depositada no herbário do Inpa.

Perigo para a preservação

A espécie é conhecida na bacia do médio Madeira, na região da BR-319 a oeste do Rio Madeira, e na região do rio Aripuanã Transamazônica (município de Apuí), a leste, no Amazonas. É encontrada em campos abertos e florestas baixas em ecossistemas de areia branca – as campinas e campinaranas, incluindo florestas secundárias próximas a estradas.

Mesmo sendo recém-descoberta, a distribuição da espécie preocupa cientistas pelo fato de ocorrer em parte no Arco do Desmatamento, região sujeita à degradação por abertura de estradas, desmatamentos, queimadas e ocupação irregular por grileiros.

“Isso, somado ao fato da aparente baixa densidade populacional da espécie, nos levou a categorizá-la como vulnerável, de acordo com os critérios da Lista de Espécies Ameaçadas da International Union”, explica a bióloga Thaise Emilio.

Confira a pesquisa completa: Artigo: Phylogenomics of the Palm Tribe Lepidocaryeae (Calamoideae: Arecaceae) and Description of a New Species of Mauritiella. Systematic Botany, 46(3), 863-874.

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Assuntos Amazônia, destaque, Inpa, nova espécie, Palmeira
Redação 28 de fevereiro de 2022
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