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Geral

Morre Lina Wertmüller, primeira diretora indicada ao Oscar, aos 93 anos, na Itália

9 de dezembro de 2021 Geral
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Por Henrique Artuni e João Gabriel Telles, da Folhapress

SÃO PAULO, SP – Morreu nesta quinta-feira a diretora italiana Lina Wertmüller, a primeira mulher indicada ao Oscar de melhor direção, aos 93 anos. Um dos nomes mais importantes do cinema, a artista morreu em casa, cercada pela família, conforme noticiaram veículos de imprensa italianos.

Nascida em Roma em 1928, a diretora ficou conhecida por clássicos dos anos 1970 que misturavam comédia e teor político como “Amor e Anarquia”, “Por um Destino Insólito” e “Mimi, O Metalúrgico”. Lina Wertmüller começou a estudar teatro aos 17 anos, trabalhou como publicitária, atriz, além de ter feito roteiros para rádio e televisão. Migrou para o cinema ao ser contratada por Federico Fellini como assistente de direção e atriz nos filmes “A Doce Vida” e “8 1/2”.

Em 1963, Wertmüller estreou na realização de um longa com “I Basilischi”, vencedor do Festival de Locarno na categoria de melhor direção. Este longa, que teve sua trilha criada por outro italiano renomado, Ennio Morricone, seria o primeiro sinal da aclamação crítica que ela receberia na década seguinte.

Ainda nos anos 1960, Wertmüller chegou a desenvolver algumas comédias populares, como “E Agora Falamos de Homens”, de 1965, e “Rita, O Mosquito”, do ano seguinte. Ainda em 1968 ela se arriscou no western spaghetti com “A Pistoleira de Virginia”. Foram trabalhos que a tornaram conhecida por um humor agudo, com comentários sociais astutos.

O destaque viria mesmo em 1972, com “Mimi, O Metalúrgico”, em que um homem forçado a deixar a sua família na Sicília vai trabalhar numa fábrica em Turim e, nesse meio tempo, se envolve num caso extraconjugal. O trabalho também foi um dos primeiros que ajudaram a consolidar o clássico casal formado por Giancarlo Giannini e Mariangela Melato.

Não à toa, os dois seriam as estrelas dos dois longas seguintes, “Amor e Anarquia”, de 1973, e “Por um Destino Insólito”, do ano seguinte.

Sua indicação ao Oscar veio em 1977, com “Pasqualino Sete Belezas” -lançado originalmente em 1975-, que retrata as experiências de um soldado italiano durante a Segunda Guerra Mundial.

Embora ela tenha perdido para John G. Avildsen, que venceu com “Rocky”, esta primeira indicação de uma mulher como melhor diretora é considerada o início de uma mudança rumo à correção das desigualdades de gêneros na premiação.

Na ocasião, Wertmüller também concorreu ao troféu de melhor roteiro original, melhor filme estrangeiro, e Giannini, também protagonista de “Pasqualino”, estava na disputa como ator.

Até então, a crítica se dividia em considerar a diretora, por um lado, grotesca e reacionária, com pouco afeto pela humanidade ou por seus personagens e, por outro, uma defensora dos oprimidos com uma fúria anarquista e idealista, cujos filmes celebram as liberdades individuais.

O fato é que o seu gosto pela caricatura -seja ela vista de forma positiva ou não- acabou conduzindo algo da má reputação que se seguiu nas décadas seguintes.

Como aponta o crítico Rob Edelman em artigo sobre a diretora no “International Dictionary of Film and Filmmakers”, ou dicionário internacional de filmes e cineastas, a reputação da diretora entrou em decadência a partir de 1978, com “Dois Perdidos numa Noite de Chuva”.

Aqui, ela construiu pela primeira vez um filme rodado com diálogos em inglês, que acompanhava o conturbado romance de um jornalista italiano comunista e uma fotógrafa americana feminista. A tradução em português, aliás, reduz e muito o título original, que seria algo como o fim do mundo em nossa cama de sempre em uma noite chuvosa.

Apesar da recepção morna, a diretora trabalhou com outros grandes nomes como Sophia Loren, Marcello Mastroianni -no caso de “Amor e Ciúme”, de 1978-, Ángela Molina e Harvey Keitel -que estrelam “Camorra”, de 1985.

Os títulos longuíssimos de seus filmes parecem ser outra particularidade dessa fase decadente da carreira. Desses, se destacam “Noite de Verão, com Perfil Grego, Olhos Amendoados e Cheiro de Manjericão”, de 1985, e “Metalúrgico e Cabeleireiro em um Turbilhão de Sexo e Política”, já de 1996.

Seu último filme lançado foi “A Casa dos Gerânios”, de 2004, que aborda o drama de um velho casal a enfrentar uma crise no casamento.

Depois de assinar a direção de 33 trabalhos -entre longas, curtas, séries e trabalhos para a TV- em 2019, ela foi homenageada com um Oscar honorário pelo conjunto de sua obra.

Sua indicação ao Oscar veio com “Pasqualino Sete Belezas”, de 1977, que retrata as experiências de um soldado italiano durante a Segunda Guerra Mundial.

Nascida em Roma em 1928, seu último filme lançado foi “A Casa dos Gerânios”, de 2004, que aborda o drama de um velho casal a enfrentar uma crise no casamento. Em 2019, ela foi homenageada com um Oscar honorário pelo conjunto de sua obra.

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Assuntos Itália, Lina Wertmüller, Oscar
Redação 9 de dezembro de 2021
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