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Política

Hasselmann, Freixo e Kataguiri pedem ao STF que anule votação da PEC dos Precatórios

5 de novembro de 2021 Política
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Plenário da Câmara: votação apertada a favor do governo (Foto: Pablo Valadares/Agência Câmara)
Plenário da Câmara: votação apertada a favor do governo na PEC dos Precatórios (Foto: Pablo Valadares/Agência Câmara)
Por Mônica Bergamo, da Folhapress

SÃO PAULO – Um grupo formado por deputados federais que vão da esquerda à direita do espectro político impetrou junto ao STF (Supremo Tribunal Federal) um mandado de segurança contra a mesa diretora da Câmara dos Deputados e o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), pedindo a anulação da votação que aprovou a PEC (proposta de emenda à Constituição) dos Precatórios em primeiro turno.

A ação foi articulada pela deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) e é subscrita por Alessandro Molon (PSB-RJ), Fernanda Melchionna (PSOL-RS), Kim Kataguiri (DEM-SP), Marcelo Freixo (PSB-RJ) e Vanderlei Macris (PSDB-SP).

Na ação junto ao STF, os parlamentares afirmam que a sessão burlou o regimento da Câmara ao permitir que deputados licenciados votassem. “De forma casuística e em patente desvio de finalidade, foi editado ato para garantir o quórum necessário”, dizem na ação.

Aliado do governo, Lira flexibilizou algumas regras e editou um ato para permitir que deputados que estão em viagem autorizada pela Câmara pudessem votar remotamente. Isso beneficiou o plano patrocinado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

“O que a mesa fez foi dar esse triplo mortal carpado no regimento e abrir exceção para que os parlamentares que estão na COP26, fora do Brasil, pudessem votar”, diz Hasselmann à coluna Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. “Inventaram um ato da mesa, em cima da hora, no desespero, para isso”, segue.

O mandado de segurança com pedido de liminar ainda afirma que a tramitação da PEC dos Precatórios contou com a aglutinação de emendas inexistentes.

Diante da resistência, inclusive em partidos de centro e da base do governo, o relator da proposta, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), apresentou uma nova versão do projeto às vésperas da votação no plenário.

A mudança prevê que os precatórios ligados à área da educação sejam parcelados em três anos. No entanto, a estratégia costurada por Lira foi chamada de manobra pela oposição e deputados contrários à proposta – críticos do acordo argumentaram que a mudança no texto da PEC só poderia ser feita se houvesse alguma emenda (sugestão apresentada por parlamentares) com o mesmo teor.

No mandado de segurança impetrado no Supremo, os parlamentares também afirmam que a emenda aglutinativa substitutiva de Motta foi apresentada às 21h03 para um texto que só viria à tona porteriormente, às 21h55.

“A inobservância do devido processo legislativo, a justificar essa impetração, é perceptível porque cronológica”, diz o documento.
Lira negou irregularidade na alteração feita de última hora na PEC. A mesma estratégia já foi usada em demais votações apertadas na Câmara.

O texto-base da PEC dos Precatórios permite a expansão de gastos públicos e viabiliza a ampliação do Auxílio Brasil prometido pelo presidente Jair Bolsonaro em ano eleitoral.

Em votação na quinta-feira (4), o placar foi de 312 votos a favor da proposta, 144 contrários e 57 deputados não votaram. Eram necessários 308 votos para que a PEC recebesse o aval da Casa.

O plenário ainda precisa analisar os destaques, que são tentativas de mudança em pontos do texto. Segundo o presidente da Câmara, Arthur Lira, o mais provável é que a votação dos destaques e do segundo turno fique para terça (9).

A proposta também passará por votação em segundo turno na Câmara. Depois, o texto seguirá para o Senado, onde precisa do apoio de 49 dos 81 senadores em dois turnos.

Para aprovar a proposta que dribla o teto de gastos (regra que limita as despesas públicas), o governo teve de ceder à pressão de partidos políticos, modificar o texto, e chegou a ameaçar retaliar as emendas de deputados que votassem contra o plano do Palácio do Planalto.

Bolsonaro determinou, em outubro, o aumento do Auxílio Brasil para R$ 400, deflagrando uma crise entre as alas política e econômica do governo.

A solução para atender à demanda do presidente foi driblar o teto de gastos, propondo alteração no cálculo da regra fiscal na PEC dos Precatórios.

Essa PEC, que já estava na Câmara, prevê um limite para pagamento de precatórios (dívidas da União reconhecidas pela Justiça), o que libera mais espaço no Orçamento.

As duas mudanças previstas na PEC – envolvendo o teto de gastos e os precatórios- têm potencial de abrir uma folga superior a R$ 90 bilhões no próximo ano, garantindo recursos para o Auxílio Brasil e um auxílio para caminhoneiros e compensar o aumento de despesas vinculadas à alta da inflação.

O aumento de gastos na área social é uma aposta de Bolsonaro e aliados para tentar fortalecer o presidente na disputa à reeleição de 2022.

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Assuntos Joice Hasselmann, Marcelo Freixo, STF
Murilo Rodrigues 5 de novembro de 2021
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