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Economia

Inflação para os mais pobres chega a 10,63% no acumulado de 12 meses

15 de setembro de 2021 Economia
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teto de gastos
Inflação dos mais pobres cresceu em um ano (Foto: Tânia Rêgo/ABr)
Por Leonardo Vieceli, da Folhapress

RIO DE JANEIRO – A inflação desacelerou em agosto para as famílias de renda mais baixa, mas os brasileiros mais pobres ainda sentem um impacto superior da disparada de preços. É o que indica estudo mensal divulgado nesta quarta-feira (15) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

Cinco dos seis grupos de rendimento analisados pelo levantamento viram a inflação perder fôlego de julho para agosto.

Entre as famílias de renda considerada muito baixa, a variação nos preços passou de 1,12% para 0,91%. Mesmo com a desaceleração, a inflação acumulada em 12 meses até agosto alcançou 10,63% nesse grupo – estava em 10,05% até julho.

Tanto o avanço de 0,91% quanto o de 10,63% são os maiores da pesquisa. Segundo o Ipea, as famílias de renda muito baixa são aquelas com rendimento domiciliar inferior a R$ 1.808,79 por mês.

Em 12 meses, o bolso dos brasileiros mais pobres foi pressionado especialmente pelos avanços de 16,6% nos alimentos no domicílio, de 21,1% na energia elétrica, de 31,7% no gás de botijão e de 5,6% nos medicamentos.

O estudo ressalta que, no acumulado, a inflação dos mais pobres segue “significativamente acima” da registrada pela classe de renda alta.

Entre os mais ricos, o avanço nos preços foi de 8,04% no acumulado até o mês passado. O grupo de renda alta é formado por famílias com rendimento domiciliar superior a R$ 17.764,49 por mês.

O acumulado dos mais ricos reflete os reajustes de 41,3% nos combustíveis, de 30,2% nas passagens aéreas e de 12,4% nos aparelhos eletroeletrônicos, além da recente recuperação dos preços dos serviços de recreação, cuja alta em 12 meses passou de 0,07% em janeiro para 5,3% em agosto.

No recorte mensal, de julho para agosto, a inflação da faixa de renda alta desacelerou de 0,88% para 0,78%, a menor do levantamento.

A exemplo das famílias de rendimento muito baixo, o segmento de renda considerada baixa (entre R$ 1.808,79 e R$ 2.702,88) também registrou variação de 0,91% em agosto, a maior do recorte mensal. Em julho, o resultado desse grupo havia sido de 1,07%.

Na renda média-baixa, a inflação foi de 0,90% em agosto, após a marca de 1,01% em julho. Essa faixa tem rendimento domiciliar entre R$ 2.702,88 e R$ 4.506,47 por mês.

Segundo o Ipea, o grupo de alimentação foi o que mais contribuiu para a alta inflacionária entre as famílias dos três segmentos de renda inferior em agosto. Nas faixas com ganhos superiores, o maior impacto veio do grupo de transportes.

Em agosto, o único dos seis grupos pesquisados que viu a inflação acelerar foi o de renda média-alta. Na comparação com julho, a variação desse segmento passou de 0,78% para 0,85%. A renda média-alta é formada por famílias com rendimento domiciliar entre R$ 8.956,26 e R$ 17.764,49 por mês.

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Assuntos inflação, pobres
Murilo Rodrigues 15 de setembro de 2021
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