
Por Felipe Campinas, da Redação
MANAUS – O deputado estadual Saullo Vianna (PTB) teve pedido de prisão e de afastamento do cargo negado pela Justiça do Amazonas na Operação Cachoeira Limpa, que investiga indícios de fraudes em licitações da Prefeitura de Presidente Figueiredo (a 117 quilômetros de Manaus). A operação foi deflagrada na manhã desta segunda-feira, 15.
A Justiça do Amazonas também negou a prisão do ex-prefeito Romeiro Mendonça, do ex-vice-prefeito Mário Abrahão, do ex-secretário Municipal de Finanças Jander Lobato, o ex-presidente da Comissão Permanente de Licitação Jender Lobato e dos empresários Rosedilse Dantas, Márcio Frota Barroso e Paulo Sampaio da Silva.
Os investigados foram alvos apenas de busca e apreensão e buscas pessoais. Os pedidos foram feitos pelo MP-AM (Ministério Público do Amazonas).
Os relatórios financeiros obtidos a partir da quebra do sigilo bancário revelam relação financeira suspeita entre as empresas que participaram dos mesmos certames licitatórios da prefeitura, aponta parecer uma conta única, onde umas pagam as contas das outras e, não só, todas elas pagam as contas pessoais de Saullo Viana e da mãe dele, Célia Vianna.
Sigilo telefônico
Em maio de 2019, a desembargadora Nélia Caminha autorizou a quebra do sigilo de dados telefônicos de Saullo Vianna e de políticos e empresários de Presidente Figueiredo para apurar suposta prática de corrupção passiva, corrupção ativa, peculato, fraude em licitação, organização criminosa e lavagem de dinheiro na prefeitura do município.
À época, o Relatório Técnico n° 03/2019 do LAB-LD (Laboratório de Tecnologia Contra a Lavagem de Dinheiro), com base em informações do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras do Ministério da Fazenda), indicavam indícios de um “intricado esquema de lavagem” de dinheiro envolvendo a empresa RAV Construções.
Esse esquema, segundo o MP-AM, beneficiava “tanto de forma ostensiva direta como de maneira dissimulada” o deputado estadual Saullo Vianna e a suposta organização criminosa.
O MP-AM afirma que o relatório “revelou indícios de uma movimentação monetária supostamente decorrente de fraude a licitações e peculato” entre os donos da empresa Engefort Construção e o grupo econômico a que o deputado Saullo Vianna pertence. O relatório cita ainda que o crime envolve os sócios enquanto pessoas físicas e traz indícios de lavagem de dinheiro.
Procurado pela reportagem, o deputado Saullo Vianna não respondeu as mensagens.
