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Dia a Dia

Área técnica da Anvisa aprova uso emergencial de vacinas contra a Covid-19

17 de janeiro de 2021 Dia a Dia
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Vacina do Butantan e da Sinovac recebeu aprovação de uso emergencial no Brasil Science (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)
Por Renato Machado, Natália Cancian e José Lopes, da Folhapress

SÃO PAULO – A gerência da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) recomendou neste domingo, 17, a aprovação da Coronavac, vacina desenvolvida pela Sinovac e pelo Instituto Butantan. A decisão é condicionada ao monitoramento e ao acompanhamento próximo de incertezas apontadas e a reavaliação periódica.

Da mesma forma como fez em relação à Coronavac, a área técnica da Anvisa recomendou a aprovação da vacina Oxford/AstraZeneca. O aval está condicionado, porém, à revisão periódica e ao acompanhamento próximo de dúvidas levantadas pelos gerentes da agência.

A Anvisa decide neste domingo o futuro das vacinas no Brasil. Cinco diretores da agência irão dizer, em reunião ao vivo, se darão sinal verde às duas vacinas que aguardam aval para uso emergencial no país: a Coronavac e a vacina da Universidade de Oxford/AstraZeneca, que será produzida no Brasil pela Fiocruz.

A primeira é a aposta do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), para dar início à imunização contra a Covid-19 no país. A segunda é a escolha do governo federal de Jair Bolsonaro (sem partido).

Uma diferença crucial entre as duas é que já há cerca de 11 milhões de doses prontas da Coronavac para uso imediato no país – o pedido de aval, porém, refere-se apenas a 6 milhões de doses. Já a vacina de Oxford ainda não se encontra em solo brasileiro -a viagem para buscar as doses produzidas na Índia foi vetada pelo país, que alegou que era preciso começar primeiro sua própria campanha de vacinação, o que ocorreu neste sábado, 16.

A decisão ocorre por votação. O encontro começou por volta das 10h e está sendo transmitido pelo canal no YouTube da Anvisa. A expectativa é que a reunião dure cinco horas. Na abertura da reunião, o diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antônio Barra Torres, disse que o combate ao novo coronavírus não passa apenas pela vacina e sim por uma mudança de comportamento da população.

“O inimigo é um só. A nossa melhor chance nessa guerra passa obrigatoriamente pela mudança de comportamento social, sem a qual, mesmo com vacina, a vitória não será alcançada”, disse Barra Torres. Ele também afirmou que todos estariam sem máscara, mas respeitando o distanciamento social.

Disse que ele e sua equipe foram “honrados” com a missão de decidir a autorização da vacina e evocou Deus, ao citar que ele e sua equipe foram os escolhidos para decidir o futuro das imunizações.

“Somos nós cidadãos brasileiros comuns das mais diversas origens que estamos diante dessa responsabilidade (decidir a aprovação para uso emergencial da vacina). Quis o acaso para alguns, o destino para outros, e a vontade de Deus na fé inabalável desse diretor que fôssemos nós a exercer esses ofícios”, afirmou.

Próximo do presidente Jair Bolsonaro, Torres estava ao lado dele, sem usar máscara, em protesto em 15 de março de 2020 quando o presidente ignorou orientações do Ministério da Saúde e participou dos protestos pró-governo sem demonstrar preocupação com o risco de transmissão do vírus da Covid-19.

Prazo de validade

O gerente geral de medicamentos da Anvisa, Gustavo Mendes, afirmou que a agência concordou em aumentar o prazo de validade da vacina Coronavac para 12 meses, mas impôs condições.

A imunização da parceria do laboratório chinês Sinovac com o Instituto Butantan precisa de condições de armazenamento de 5 graus de temperatura, com variação de 3 graus para mais ou menos. Nessas condições, o prazo do produto a granel – ainda não finalizado e embalado – teria prazo de validade de até seis meses. Para o produto finalizado, no entanto, o Instituto Butantan havia solicitado 12 meses.

“Essas vacinas não têm tempo suficiente de produção para mostrar por quanto tempo se mantêm íntegras. A proposta do Instituto Butantan foi extrapolar esse prazo para 12 meses. Nas nossas negociações, a gente entendeu que isso seria possível, se o Instituto Butantan e os desenvolvedores concordassem com as nossas condições”, afirmou, durante a reunião que define a autorização para uso emergencial da vacina.

Dentre as condições, estão a atualização dos dados disponíveis, a comunicação de problemas com os estudos de estabilidade da vacina e o compromisso de recolher os lotes da imunização, em casos de problemas.

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Assuntos Anvisa, Coronavac, destaque, vacina contra a Covid-19
Redação 17 de janeiro de 2021
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