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Economia

Venda cresce no comércio, mas aumenta dificuldades de repor estoques

2 de setembro de 2020 Economia
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ciclos de reabertura
Vendas melhoram mas comércio tem dificuldades para repor estoques (Foto: Mário Oliveira/Semcom)
Da Folhapress

RIO DE JANEIRO – A percepção das empresas brasileiras sobre os impactos da pandemia em seus negócios melhorou na segunda quinzena de julho, como reflexo da maior flexibilização do isolamento social. Mas, ao mesmo tempo em que veem melhora nas vendas, os empresários apontam maior dificuldade para repor estoques.

A conclusão é da pesquisa Pulso Empresa, que teve a terceira edição divulgada nesta quarta, 2, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Segundo o instituto, problemas de acesso a insumos e fornecedores são mais comuns em pequenas empresas e na região Nordeste.

A pesquisa estima que 37,5% das empresas brasileiras sofreram impactos negativos da pandemia na segunda quinzena de julho. O número mostra evolução em relação aos 44,8% verificados na quinzena anterior e aos 62,4% da primeira edição da pesquisa, referente à segunda quinzena de junho.

“A gente vê trajetória de melhora quinzena a quinzena”, disse o gerente da pesquisa do IBGE, Flávio Magheli. Houve avanço tanto nos indicadores de impactos nas vendas, quanto nos de dificuldades para realizar pagamentos, que haviam sido destaques negativos nas primeiras edições das pesquisas.

O número de entrevistados que disse ter sofrido impacto negativo nas vendas caiu de 46,8% para 34,4% entre as duas quinzenas de julho. Já o contingente daquelas que enfrentaram dificuldade para efetuar pagamentos de rotina passou de 47,4% para 38,9%.

O instituto ressalta, porém, que a evolução é heterogênea e depende do nível de abertura de cidades e estados. No Centro-Oeste, onde o pico da pandemia ocorreu mais tarde, por exemplo, 41% das empresas dizem ter vendido menos no período pesquisado. Já no Sudeste, esse percentual cai para 32%.

“Cada região está numa fase diferente na retomada gradual das atividades econômicas, passando de um controle mais restrito para um normal controlado. E obviamente isso se reflete na maior capacidade de fornecer produtos e também da capacidade de receita e gasto das próprias famílias”, comentou Magheli.

Os dados reforçam a percepção de retomada indicada pelas últimas pesquisas mensais de indústria, comércio e serviços do IBGE. Nas duas primeiras, houve dois meses seguidos de recuperação após tombo recorde em abril. A última apresentou pequena evolução em junho, depois de dois meses ruins.

Os técnicos do IBGE, porém, evitaram projeções sobre os efeitos da melhora da percepção das empresas brasileiras no PIB (Produto Interno Bruto) do segundo trimestre, alegando que é preciso esperar as divulgações de pesquisas do instituto que avaliam o desempenho de comércio, indústria e serviços.

Nesta quinta, 3, o instituto divulga os resultados da indústria em julho, primeiro mês do terceiro trimestre. O mercado espera que a recuperação da economia se reflita no PIB do período, após recuo inédito de 9,7% no segundo trimestre, o primeiro totalmente sob efeito da pandemia.

Segundo o IBGE, a retomada nas vendas trouxe um novo problema para as empresas brasileiras: a dificuldade de acesso a insumos, matérias-primas ou mercadorias. Foi o único indicador de impacto específico da pandemia a registrar alta na segunda quinzena de julho, quando 45,4% dos entrevistados relataram problemas.

“Quando o isolamento é flexibilizado, as vendas respondem rápido, mas a capacidade de fornecer não se ajusta no mesmo ritmo”, disse o analista do IBGE Alessandro Pinheiro. “A gente vê aí um problema de abastecimento, que foi provocado pelo choque. O choque atingiu primeiro o lado da demanda e depois foi para o lado da oferta.”

Os dados mostram que o problema é mais concentrado entre pequenas empresas (45,5% relataram esse tipo de dificuldade) e no comércio (65,2%). No comércio varejista e no comércio de veículos, peças e motocicletas, sete em cada dez empresas tiveram dificuldade para repor estoques.

Para os técnicos do IBGE, as pequenas empresas sofrem com menor capacidade logística e de organização, o que pode explicar parcialmente as dificuldades. No Nordeste, que tem infraestrutura logística mais precária, 58% das empresas relataram esse tipo de problema.

Mas Pinheiro lembrou que grandes redes varejistas também vêm passando pelo problema. “A gente vivencia muito no contato cotidiano as pessoas reclamando que compram online no supermercado e recebe a metade do que comprou. Isso é comum”, afirmou.

Ainda assim, o instituto não acredita que seja uma questão estrutural, com impactos significativos no processo de retomada da economia após o período mais duro da pandemia.

A pesquisa divulgada nesta quarta confirma que o setor de serviços, principal motor do PIB (Produto Interno Bruto) no país, ainda tem dificuldades para responder às medidas de flexibilização do isolamento. Na segunda quinzena de julho, 38,5% das empresas de setor ainda viam queda nas vendas.

No grupo de atividades que engloba os serviços prestados às famílias, como alimentação, hospedagem ou lazer, o percentual é ainda maior: 41,2%. O setor de serviços é o maior empregador do país e, para analistas, a recuperação do mercado de trabalho depende de sua retomada.

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Assuntos Comércio, estoque, IBGE
Redação 2 de setembro de 2020
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