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Política

Paulo Guedes vê embate entre poderes como ‘ruídos’ e diz que não há como Brasil piorar

16 de junho de 2020 Política
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Paulo Guedes, ministro da economia
Paulo Guedes afirma que tendência é o Brasil melhorar (Foto: Isac Nóbrega/PR)

Da Folhapress

BRASÍLIA – O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou, nesta terça-feira, 16, que os embates entre os poderes são o “ruídos de uma democracia vibrante”.

“Eu não compartilho do pessimismo de quem olha para isso e teme o caos, acha que o Brasil vai se incendiar a qualquer momento, o meu acompanhamento da história brasileira é outro, meu acompanhamento é que a democracia está cada vez mais robusta e mais flexível”, disse em evento virtual do IGP (Instituto de Garantias Penais).

“Ela (a democracia) tinha viajado todo espectro para esquerda até a extrema-esquerda, agora viajou pelo espectro da centro-direita e está indo até a direita mais extrema. Tem a capacidade de absorver os choques, os ruídos são naturais”, completou.

O governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) é marcado por embates com os poderes Legislativo e Judiciário, que se agravaram após o início da pandemia do novo coronavírus. “Eu prefiro o ruído da democracia ao silêncio de uma ditadura. Você não sabe o que está acontecendo hoje na Coreia do Norte, quantas vítimas do coronavírus tem lá”, argumentou.

No Brasil, a divulgação de dados sobre a evolução da Covid-19 é alvo de desconfiança. O governo ameaçou sonegar dados, atrasou boletins, retirou informações do ar, deixou de divulgar os números totais de casos e mortes e divulgou informações conflitantes.

No evento, o ministro elogiou a atuação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli e criticou a atuação dos tribunais de conta estaduais. “TCEs aprovam contas sem usar os mesmos critérios que o TCU (Tribunal de Contas da União) usa para a União”, condenou.

Além disso, ele reforçou a importância da continuidade da agenda de reformas econômicas. “O Brasil vai surpreender e atravessar as duas (ondas), o congresso está conversando e vamos prosseguir com as reformas”, declarou.

Guedes defendeu ainda a reforma tributária e a aprovação do pacto federativo. “Se fizermos a reforma tributária de forma adequada, vão desaparecendo aqueles lobbies pela desoneração de um lado e aqueles contenciosos, que podem chegar a R$ 1 trilhão, do outro lado, que na verdade oneram o verdadeiro pagador de impostos”, destacou.

Em seu ponto de vista, o modelo tributário atual onera excessivamente apenas um terço dos contribuintes. “O contribuinte acaba tendo que pagar muito mais porque um terço está desonerado (por influência política) e o outro terço não paga porque prefere ir para a Justiça, fica só aquele um terço final de bons pagadores e pessoas sérias que acabam se sacrificando pagando impostos exorbitantes para não ter também os serviços de contrapartida”, ponderou.

Ele defendeu o que chamou de “passaporte tributário”, em que o contribuinte pagaria um valor mais baixo para quitar seus débitos fiscais. “Eu deixo você entrar nesse regime novo mediante um pequeno acerto de contas do passado (…) temos que oferecer uma chance a quem quiser comprar esse passaporte a um preço moderado, baixo”, explicou.

Segundo ele, a retomada econômica após a crise deve começar até novembro. “Vejo um futuro brilhante porque é muito difícil a gente piorar, nosso viés cultural já nos botou num buraco, então nós vamos ter que melhorar”, concluiu.

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Assuntos democracia, Paulo Guedes
Cleber Oliveira 16 de junho de 2020
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