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Política

Após protestos, Bolsonaro pretende intensificar polarização com PT

9 de junho de 2020 Política
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djalma batista
Governo Bolsonaro quer evita adesão de união partidária em manifestações contra o presidente (Foto: Murilo Rodrigues/ATUAL)
Por Gustavo Uribe, Julia Chaib e Ricardo Della Coletta, da Folhapress

BRASÍLIA – Como reação aos protestos do último domingo, 7, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) definiu estratégia política para tentar evitar que nomes de legendas de centro ganhem capilaridade eleitoral com as manifestações contra o governo.

Em conversas reservadas, o presidente avaliou com auxiliares nesta segunda, 8, que os protestos pelo país tiveram adesão menor do que a esperada pelo Planalto, mas que deram visibilidade à ideia de formação de uma frente de siglas de centro contra o governo.

Nos últimos meses, partidos como PDT, PSB, Rede e PV vêm discutindo uma união nacional. No final do mês passado, nomes como o do apresentador Luciano Huck e o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) assinaram um manifesto conjunto a favor da democracia.

Apesar de a maior parte das siglas de centro ter desencorajado a ida aos protestos, por causa da pandemia do coronavírus, a formação de uma união partidária foi um dos assuntos que gerou adesões nas redes sociais no domingo.
Segundo relatos feitos à reportagem, o núcleo digital do Planalto identificou que a defesa de uma frente contra o governo ganhou adeptos nas redes durante as manifestações críticas ao presidente.

Para evitar que a ideia ganhe força, diante de novos protestos articulados por entidades civis, Bolsonaro pretende reforçar a polarização com o PT, redobrando os ataques ao partido, e ignorar críticas de lideranças de centro.

A estratégia é evitar que os discursos de nomes de centro, entre eles Ciro Gomes (PDT) e até o ex-ministro Sergio Moro, reverberem junto à opinião pública, criando um ambiente pouco favorável ao fortalecimento de alternativas eleitorais fora da polarização da direita contra a esquerda.

Para isso, a ideia é que Bolsonaro reforce as críticas aos atos contra o governo e a tentativa de vinculá-los a grupos violentos de esquerda. Nesta segunda, ele publicou foto nas redes sociais de um boneco dele pendurado de cabeça para baixo. “Essa é a turma que respeita a democracia e as instituições”, escreveu.

Pela manhã, a apoiadores, o presidente classificou as manifestações como “o grande problema do momento” e disse que “estão começando a colocar as mangas de fora”.

“Eu peguei um câncer em tudo o que é lugar. Um médico não pode de uma hora pra outra resolver esse problema todo”, disse o presidente.

O Gabinete de Segurança Institucional divulgou nota na qual afirmou que o Planalto foi “vítima de um ato de vandalismo”. Ele fazia referência a uma lata de tinta vermelha jogada na manhã desta segunda na rampa da sede administrativa do governo federal.

“Após ser detido pela equipe de segurança, o responsável pelo ato foi entregue às autoridades policiais, para adoção das medidas legais cabíveis”, afirmou o GSI.

O número de adesões aos protestos de domingo foi abaixo do que esperava a equipe presidencial e com menos episódios de vandalismo. A ideia de assessores era explorar cenas de violência para tentar desacreditar os grupos contrários ao presidente.

A impressão de que não houve uma adesão grande é compartilhada por líderes e dirigentes partidários. A avaliação é de que os protestos não foram grandes o suficiente para convencer o Legislativo a instaurar um processo de impeachment de Bolsonaro.

O diagnóstico foi de que os protestos ainda são embrionários, em parte devido ao temor de as pessoas saírem às ruas e serem contaminadas pelo novo coronavírus, e não atingiram camadas importantes das classes média e baixa.

A expectativa maior é acerca do impacto sobre a sociedade do término do pagamento do auxílio emergencial. A avaliação é de que só será possível mensurar a temperatura das ruas após o arrefecimento da crise e término do benefício social.

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Diferença de Lula para Flávio foi de 4.430.191 votos; maior que 2014 e 2022

Assuntos Ciro Gomes, Jair Bolsonaro, Luciano Huck, PTB, Sérgio Moro
Redação 9 de junho de 2020
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