
O Delegado de Polícia Emerson de Almeida Negreiros, 44 anos, natural de Maués, nasceu em 19 de julho de 1975. Perdeu o pai muito cedo e cuidou da família, tendo assumido esse papel para seus irmãos (Edson, Cadu e Cíntia). Veio a Manaus na década de 90, cursou o Direito na FD/UFAM, onde o conheci, tendo concluído o bacharelado em 2000.
Estudávamos frequentemente depois das aulas ou finais de semana, juntamente com outros colegas (Elisângela, José Aldemir Arruda e eventualmente outros colegas). Fazíamos júris simulados, quando essa atividade ainda não havia sido institucionalizada como “jogos jurídicos”. Estes ocorriam quase sempre nas manhãs de sábado, por vezes no auditório da velha jaqueira. Era uma correria, mas muito proveitosa. Colaborei com ele na elaboração do primeiro projeto iniciação científica (Pibic) dele e de Arruda sobre a privatização do sistema prisional. Emerson sempre foi comprometido intelectualmente com as questões de seu tempo.
Após a graduação, fomos aprovados nos mesmos concursos, em 2001, e optamos pela mesma carreira policial. Antes de ser delegado, Emerson Negreiros exerceu com excelência a advocacia, atuando em processos em diversas esferas, inclusive nos tribunais superiores. Mas fez opção afinal pela carreira de Delegado de Polícia. Trabalhamos por diversas vezes juntos.
Separado da primeira esposa, Francinei Fernandes, Emerson uniu-se maritalmente com Elen Leite de Lima com quem teve um casal de filhos e um enteado. Filho de dona Celeste Negreiros, Emerson foi dedicado chefe de família, pai e esposo. Ajudou a muitas pessoas, sobretudo com orientação jurídica às mais vulneráveis e atuava no combate ao crime e à delinquência com lucidez, equilíbrio e competência singular.
Na Polícia Civil, fez uma carreira digna e de referência exemplar. Trabalhou em muitos distritos policiais, no interior e na capital (Manaus), assumindo plantões e titularidades. Comandou o DPM (Departamento de Polícia Metropolitana), na gestão do dr. Josué Rocha, e fez um grande trabalho em prol da segurança pública da sociedade amazonense, bem como de toda a instituição Polícia Civil do Amazonas (PC-AM). Por causa dessa atuação, chegou por vezes a ser perseguido, sofrer ameaças e sabotagens na própria carreira, assim como ocorreu com quase todos de nossa turma de 2001.
Vitimado pelos efeitos do novo coronavírus (covid-19), que se abateu de modo devastador em Manaus, Emerson se foi antes de nós. Lutou bravamente por mais de 21 dias na UTI do hospital João Lúcio, na zona Leste. Mas não resistiu, indo a óbito em 20 de maio de 2020. Leva com ele muito de nossas afeições, memórias, lutas, erros, conquistas e experiências. Deixa um vazio enorme e uma saudade ainda maior. Cidadão, educador e profissional admirável, deixa um grande legado para todos nós que o vimos florescer e atuar.
Que Deus o receba em sua morada eterna! Que ele descanse em paz! Em meio a tantas batalhas, sabotagens e perseguições, Emerson nunca deixou de lutar com sabedoria pela justiça, pelo bem, pela verdade. Que Deus console e abençoe a família, os filhos e a todos nós, seus amigos. É difícil dizer-lhe adeus, meu amigo: que Deus o tenha na luz e nas alegrias eternas! Vá em paz admirável e querido amigo Emerson de Almeida Negreiros!
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