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Economia

Coronavírus acabou com a era das viagens baratas, diz associação

28 de abril de 2020 Economia
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Manter distanciamento entre os passageiros significa reduzir o número de assentos, o que obrigaria as empresas a aumentar os preços das passagens (Foto: José Cruz/Agência Brasil)
Da Folhapress

BRUXELAS – A alta temporada deste ano está perdida para o setor de aviação, e a era das viagens “low cost” (mais baratas) acabou enquanto for preciso adotar medidas contra o coronavírus, afirmou neste terça-feira, 28, Alexandre de Juniac, presidente da Iata (associação internacional das companhias aéreas).

Segundo a Iata, manter distanciamento entre os passageiros significa reduzir o número de assentos em ao menos um terço, o que obrigaria as empresas a aumentar os preços das passagens em ao menos 50% ou falir.

A entidade voltou a afirmar que a recuperação do setor vai depender de ajuda dos governos, e que ela é urgente. “A maioria das empresas tem caixa suficiente para garantir dois meses de despesas. E os governos têm demorado a agir”, afirmou Juniac.

De acordo com a Iata, o setor aéreo emprega 25 milhões de pessoas no mundo e contribui com 10% do Produto Interno Bruto (PIB) global.

Embora tenha apresentado estimativas negativas para o setor de carga neste ano -queda de 14% no melhor cenário e 31% no pior-, o segmento foi descrito por Juniac como “o único ponto positivo do setor”: “É a única parte que está operando e obtendo receita em alguma escala”.

A única fonte de receita das companhias no momento, entretanto, não está conseguindo atender a toda a demanda: o número de pedidos caiu 15%, mas a capacidade se reduziu em quase 25%, porque parte dos produtos era transportada em voos de passageiros.

“As companhias aéreas estão fazendo o possível para aumentar sua capacidade, usando cargueiros e adaptando aviões de passageiros para operar apenas com carga”, afirmou o presidente.

Ele reclamou, no entanto, da demora dos governos em resolver três gargalos burocráticos: o tempo de aprovação para operações especiais ou charter, a obrigação de quarentena para tripulantes que não estão em contato com passageiros e instalações adequadas para processar carga ou para a tripulação descansar a tripulação.

“A aviação está tentando fazer nossa parte no transporte de produtos farmacêuticos vitais para combater a pandemia. A última coisa de que precisamos é um atraso na obtenção da permissão para operar ou de uma equipe sujeita a quarentena”, afirmou.

Juniac também criticou o governo argentino por proibir os voos até 1º de setembro. “Isso vai muito além do atual período de quarentena no país e colocará em risco milhares de empregos no setor de viagens e turismo”, disse.

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Assuntos companhias aéreas, Covid-19
Redação 28 de abril de 2020
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