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Dia a Dia

Terceirização e competição reduzem chances de mulheres no trabalho formal, diz socióloga

8 de março de 2020 Dia a Dia
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Débora Paulino com as amigas do grupo ‘Humaniza Coletivo Feminista’ (Foto: Bruno Moraes)

Da Redação

MANAUS – Com inegáveis conquistas sociais, as mulheres ainda travam uma batalha por igualdade salarial. No mercado de trabalho, mesmo chegando a altos postos em grandes empresas, uma nova realidade cria outros obstáculos à ascensão profissional. A terceirização e processo seletivos são barreiras que dificultam a vida da mulher, segundo a socióloga Marklize Siqueira.

Ela diz que com o processo de terceirização, o trabalho formal tem desaparecido. Para conseguir um trabalho formal, quando ele aparece, existe uma seleção dessas mulheres a partir de critérios que eliminam as que mais precisam de emprego.

“Mulheres com filhos pequenos são menos prestigiadas nesse processo, por entender que por ela ter filhos em algum momento ela deixará de trabalhar para cuidar dos filhos”, diz Marklize

Outro fator que dificulta a colocação de mulheres no mercado de trabalho é a baixa escolarização, sobretudo as das periferias das cidades. “Muitas delas ainda não conseguiram fazer todos os níveis [escolares] e isso dificulta também”, diz.

Para a sociólga, não basta disponibilizar as vagas de emprego, é necessário formação e capacitação do ambiente feminino.

“Elas precisam de incentivo para que possam trabalhar, creches para ter onde colocar os seus filhos. É preciso entender que essas mulheres precisam se capacitar. Há a necessidade de políticas públicas de emprego e capacitação, articuladas, para que essa mulher consiga exercer várias atividades cotidianas”, disse.

Marklize lembra que historicamente as mulheres sempre ocuparam trabalhos precarizados, com salários menores e hoje ainda encontram dificuldade em se estabelecer.

“Devido o espaço ser muito ocupado pelos homens, historicamente elas demoraram muito tempo para ocupar. Essas mulheres estiveram em locais de trabalho precarizados e longe de exercer funções de gerência”, disse.

Violência obstétrica

Essa situação, de certa forma, é violenta para a mulher no sentido estar sempre em desvantagem na busca de ascensão profissional. Na questão física, a violência também é outra batalha.

No Amazonas, desde 2014 o ‘Humaniza Coletivo Feminista’ mobiliza as mulheres para lutar contra a violência obstétrica. O grupo reúne dez mulheres, algumas delas advogadas, que auxiliam em vítimas em processos judiciais.

A advogada Marília Freire, integrante do Coletivo, diz que as vítimas buscam reparação pelos danos sofridos.

“As mulheres que sofreram violência obstétrica estavam em busca de indenização moral e reparação do estado ou do município pelas consequências daquilo que viveram e acabavam nos procurando para as primeiras orientações jurídicas. Ao analisar os casos, percebemos que as denúncias eram tratadas como casos ‘erro médico’ e por isso, as mulheres acabavam perdendo na justiça”, disse a advogada.

O Humaniza defende que a violência obstétrica seja compreendida como “um ato que pode ser praticado por qualquer profissional, da saúde ou não, em qualquer ambiente de atendimento, particular ou público, contra a mulher em estado de gravidez, em trabalho de parto, processo de abortamento ou durante o puerpério”. 

O coletivo encaminha as mulheres que foram vítimas aos órgãos capacitados, como a DPE (Defensoria Pública do Estado do Amazonas), fazem abertura de processos contra hospitais, promovem oficinas e debates de conscientização para profissionais da saúde.

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Assuntos Dia da Mulher, emprego, Humaniza, manchete, maternidade, Mercado de Trabalho
Redação 8 de março de 2020
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