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Sem categoria

O Jérôme é o nosso bedel?

22 de janeiro de 2015 Sem categoria
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Cabeca Coluna Roberto Caminha

Dicionário Oxford
bedel
s.m.
(1431)
1 chefe de disciplina em escolas; censor, disciplinador
2 funcionário subalterno encarregado de tarefas administrativas nas faculdades.

O Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, foi carimbado como o mais cruel dos bedéis que o Brasil já teve desde o nosso descobrimento. Ele bate no nosso bum-bum.

O Jérôme chegou com mais uma novidade para o Arena Sportv. Passou a borracha em algumas sedes que investiram no Programa da Fifa. A Copa do Mundo de Futebol é o único e mais homenageado programa de esporte do mundo. Para entrar nesse programa o país deve investir em arenas, transportes, infraestrutura, aeroportos e muitas outras obras que são consideradas de alto valor.

O Estado do Amazonas acreditou e investiu no Programa da Fifa. Decorridos sete meses do evento, estamos querendo confirmar que não foi de brincadeira o investimento que o povo aprovou e fez para o espetáculo patrocinado pela Fifa. Agora, janeiro de 2015, apareceu a oportunidade de colocarmos Manaus como Cidade Olímpica, através da escolha da nossa terra para sediar uma das fases do futebol dos Jogos Olímpicos do Rio. O futebol é a única modalidade que migra do local escolhido como sede. O Rio é lindo, é divino, é maravilhoso, mas não tem dois estádios para sediar uma competição como essa. O Engenhão, que me perdoem os dirigentes do futebol brasileiro, não pode ter o campo perfurado por dardos e amassado por discos e pesos, e sediar partidas de futebol no mesmo lugar. É um torneio de dezoito dias.

E São Paulo?

São Paulo, a grande planta industrial do Brasil, é o maior exemplo de falta de planejamento de uma grande cidade no mundo. A nossa São Paulo, daqui a quarenta e cinco dias vai começar a sentir o maior êxodo que uma cidade com mais de quinze milhões de habitantes mostrará para o mundo. Em São Paulo, não há água, nem haverá tecnologia para inventar o precioso líquido em menos de dois anos.

Que pena! Quanta maldade! Quais são os irresponsáveis pela situação? Não adianta, não haverá água para tanta gente.

Senhor secretário, vão tentar enganá-lo mais uma vez por aí. Aquele estádio do Corinthians, em que se deu o pontapé inicial da Copa 2015, foi a vergonha do Mundial. Um estádio inacabado formado por dois “puxadinhos”.

São Paulo e alguns maus desportistas andaram cruzando a bola para o senhor fazer o gol de cabeça. Não acredite em Estádio do Palmeiras, do Corinthians ou do São Paulo. Daqui a doze meses, o cidadão que puxar uma pequena mangueira para molhar o seu jardim, será enviado para a Indonésia e enfrentará o pelotão de fuzilamento. Será mandado para a Indonésia porque não haverá água para limpar o sangue escorrido. Há muitos anos não se sabe conviver com falta de água em uma megalópole. É cruel!

Senhor secretário, vimos com muita atenção a sua entrevista e a cautela com que o senhor tentou encaminhar os trabalhos através de Jorges, Luizes, Rodrigues & Cia, que não sabem de nada. Ninguém o engana sobre a situação e a trajetória do pobre futebol brasileiro. O Brasil de hoje, no futebol, é o Japão e a Polônia de ontem, no voleibol. A Polônia já começa a respirar.

A Fifa fica muito satisfeita por uma Copa com dez estádios e o Brasil clama por isso. A Arena da Amazônia fez a melhor receptividade para os povos amigos que aqui chegaram e recebeu dos maiores jornais da bola a melhor nota do mundo futebolístico.

Já estivemos em várias olimpíadas, e, de Seul para cá, a conversa que motivaria um encontro olímpico entre o Federer e o Neymar Jr., como o senhor falou, é feita pelos empresários dos dois, lá na Espanha, em Londres ou em Roma, e o valor é depositado bem ao lado do seu escritório, na Suíça, ou no Caribe. Coisas da modernidade e que passam longe do Rio de Janeiro, uma cidade desenhada por Deus, em um dia que pensava ser Oscar Niemeyer. E olhe, essa frase não é minha, mas de um argentino. Um argentino para achar que Deus deixou de ser argentino, deve gostar muito desse brasileiro. Nas Olimpíadas de Seul, viajamos seis horas de trem até Pusan. Eram brasileiros, alemães, russos, americanos, espanhóis e portugueses. Todos ávidos por futebol, e a cidade estava na fronteira com a Coréia do Norte, Terra dos Presidentes Lindões. Eram muitos aviões de guerra sobre as nossas cabeças.

Senhor secretário, todos sabemos que bilheteria boa é a do futebol. Veja as bilheterias do Sudeste e a dos jogos dos timinhos do Sul e compare com as que nós fazemos para salvar os clubes deles.

Obrigado pela atenção, mas só acreditamos neste secretário, que em nenhum momento errou durante a Copa, e no Dr. Carlos Arthur Nuzman, o outro craque brasileiro, depois de Havelange, Mané e Pelé.

——————–

Roberto Caminha Filho, nacionalino, é louco por futebol e ficará realizado quando Manaus for Cidade Olímpica.

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Assuntos Arena da Amazônia, Cidade Olímpica, Fifa, Jérôme Valcke, Olimpíadas
Valmir Lima 22 de janeiro de 2015
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