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Política

Movimentos organizam atos de repúdio ao STF após fim da prisão em 2ª instância

8 de novembro de 2019 Política
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Por Fábio Zanini, da Folhapress

SÃO PAULO-SP – Movimentos de direita planejam ir às ruas para protestar contra a decisão que acabou com a possibilidade de prisão após a segunda instância, com o Supremo Tribunal Federal como alvo preferencial. O primeiro ato está marcado para esta sexta, 8, à noite em frente à sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), na avenida Paulista. 

A manifestação é promovida pelo Movimento Conservador, grupo alinhado ao presidente Jair Bolsonaro. “A decisão do Supremo acirrou os ânimos. Há uma indignação generalizada com o que aconteceu”, afirma Edson Salomão, presidente do grupo.

Essa revolta, segundo ele, não se resume à libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas também de quase 5.000 outros presos por condenação em segunda instância. “Isso aí enterra a Lava Jato, institucionaliza a impunidade”, disse.

Os discursos devem pedir o impeachment de ministros do STF que votaram contra a segunda instância e a aprovação de uma emenda constitucional que retome a possibilidade de prisão antes de esgotados os recursos. Mas não haverá defesa de medidas como fechamento ou invasão do tribunal. “Isso a gente sempre repudia”, afirmou Salomão.

No sábado, 9, às 16h, também na avenida Paulista, será a vez de dois movimentos que surgiram durante o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff fazerem um ato. Ao contrário do Movimento Conservador, no entanto, eles são críticos a diversos aspectos do governo Bolsonaro.

O evento é organizado pelo Vem Pra Rua, que pede “prisão em segunda instância já”. Ao grupo se juntou o MBL (Movimento Brasil Livre), com o acréscimo da defesa da PEC 410/18, que estabelece a prisão em segunda instância, e da chamada CPI da Lava Toga, para investigar possíveis irregularidades no Judiciário.

Em redes sociais de bolsonaristas e conservadores, o tom foi de forte crítica ao Supremo Tribunal Federal. O youtuber católico Bernardo Kuster, um dos mais atuantes apoiadores do presidente, publicou montagem em que os seis ministros do STF que votaram pela necessidade de trânsito em julgado estão caracterizados como o vilão Coringa, dos filmes do Batman. “Se nós não teremos paz, eles também não”, escreveu.

O professor e ativista conservador Rafael Nogueira, discípulo do filósofo Olavo de Carvalho, tuitou que “a decisão do STF vai pôr o Brasil de cabeça para baixo”. O próprio Olavo escreveu que “o STF liberou o morticínio. So simple as that (simples assim)”.

Já o procurador Ailton Benedito, responsável pela área de direitos humanos na Procuradoria Geral da República, disse que a decisão do STF deixava “bandidólatras e democidas em regozijo”. “Entretanto, serão derrotados”, afirmou.

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Assuntos Lula, STF
Cleber Oliveira 8 de novembro de 2019
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