
Da Redação
MANAUS – Carcaça de pirarucu, normalmente descartada, pode virar ração e adubo orgânico. O peixe é um dos mais apreciados na culinária amazonense e o aproveitamento do resíduo foi desenvolvido por pesquisadores do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e da Ufam (Universidade Federal do Amazonas). Trata-se do estudo ‘Inovações Tecnológicas no Tratamento de Resíduos da Indústria de Beneficiamento de Pescado de Maraã/AM’.
A ração e o adubo são feitos a partir de vísceras, nadadeiras, escamas e couro do pirarucu. O trabalho foi desenvolvido por Sonia Alfaia e Rogério de Jesus, do Inpa, e por Frank Cruz, da Ufam. Sonia Alfaia diz que a ração é de alto valor nutritivo. “Pode ser utilizadas para alimentação de animais, de adubos orgânicos, para produção de hortaliças, visando, dessa forma, agregar valor econômico”, diz a pesquisadora.
“Os resultados mostraram que a compostagem pode se constituir numa alternativa promissora à reciclagem dos resíduos de pescado, podendo resultar num composto de alta qualidade nutricional e de baixo custo de produção, com grande potencial para reposição de nutrientes ao solo – especialmente de fósforo, que é considerado o principal nutriente que limita a produção nos solos do Amazonas, sendo deficiente em 90% dos solos da região”, disse Sonia.
Conforme a pesquisadora, em condições de campo, os compostos produzidos apresentaram-se altamente benéficos para o cultivo de hortaliças e na melhoria das características do solo, mesmo quando comparados com os tratamentos com adubação química, com condições de substituir o esterco bovino na produção de adubos orgânicos na região.
Rogério de Jesus diz que a ideia surgiu a partir de estudos com os resíduos do pescado da Unidade de Beneficiamento de Pescado (UBP) no município de Maraã (a 634 quilômetros de Manaus). “Na época, pescadores de Maraã passaram a ser responsáveis pela captura de metade do pirarucu manejado nas RDS’s Mamirauá e Anamã, visando agregar valor ao pescado. A Secretaria de Estado de Produção Rural do Amazonas implantou a Unidade de Beneficiamento de Pescado na região. A indústria foi inaugurada em outubro de 2011, para produzir filé de pirarucu seco, salgado – trazendo um processo novo para a região, o produto foi lançado no mercado regional e nacional com o nome comercial de ‘Bacalhau da Amazônia’, gerando efeitos de emprego e renda aos trabalhadores da região”, disse.
O professor Frank Cruz disse que a redução de custos com alimentação que o produto vai proporcionar é significativa. “O Amazonas importa 100% de toda matéria-prima utilizada na confecção de rações (milho, farelo de soja, farinha de osso). Com a silagem de resíduos de pirarucu, essa importação será reduzida e isso é muito importante porque em aves o item alimentação corresponde a 80% do custo total de produção”, citou.
O projeto foi financiado pela Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas).

