
Por Rebeca Almeida, da Redação
MANAUS – O posicionamento polêmico do presidente Jair Bolsonaro sobre a política ambiental é visto como nacionalista entre aliados, como politização do tema por parlamentares de centro e desastroso entre os de oposição na bancada federal do Amazonas. Enquanto os parlamentares Marcelo Ramos (PR) e José Ricardo (PT) criticam a postura do governo, Delegado Pablo Oliva (PSL) defende o presidente.
Pablo Oliva, do mesmo partido e da base aliada de Bolsonaro, o posicionamento do presidente é ‘patriótico’. “O presidente Jair Bolsonaro possui posicionamentos firmes e nacionalistas na questão ambiental. Prova disso é a proposta de uso sustentável das riquezas minerais da Amazônia”, disse.
Segundo Pablo, a tendência de explorar os recursos naturais da região para promover o crescimento econômico do país é essencial. “Preservar a natureza não significa mantê-la intacta. A melhor forma de preservar a Amazônia é usar suas riquezas em benefício da própria Amazônia e dos povos que lá habitam”, diz.
Sidney Leite (PSD) diz que o grande impasse do atual governo é politizar demasiadamente questões que não possuem tal necessidade. “Este problema ambiental é uma coisa que vai além da questão política. Nós temos um problema próprio na estrutura da organização dessas terras no Estado do Amazonas e isto não é uma coisa que cabe somente a política, é algo que deve ser visto com as comunidades locais, que estão nesses lugares”, avalia.
Membro da Frente Parlamentar em Defesa da Amazônia e da Frente em Defesa dos Povos Indígenas, Sidney Leite é contra a remarcação de terras indígenas no estado sem a consulta às etnias. “Não adianta falar sobre colocar o exército nessas terras sem ter uma revisão legislativa e um acompanhamento presencial no Amazonas. O país nos enxerga como brasileiro de terceira categoria, como se aqui fosse uma reserva de mercado”, afirmou.
Desastre
Para Marcelo Ramos (PL), a postura de Bolsonaro é um ‘desastre’. “Eu avalio como desastrosa as falas e a política ambiental do governo Bolsonaro, que está trazendo prejuízos para a questão ambiental porque a mensagem do presidente é uma mensagem que estimula os desmatadores, os criminosos ambientais”, disse.
Ramos cita que o posicionamento do presidente afeta outras áreas como a economia. “Do ponto de vista comercial, nós já tivemos restrições à importação do couro brasileiro. Já tivemos a interrupção das doações do Fundo Amazônia pela Alemanha e a Noruega e temos uma série de fundos de investimento ameaçando retirar os recursos do Brasil até que o governo demonstre uma governança responsável da Amazônia”, afirmou, ao avaliar que a situação ambiental está se tornando um problema comercial que pode afetar a economia do país.
Economia
A mesma preocupação é compartilhada por José Ricardo (PT). “Esses posicionamentos do Bolsonaro deixam o Brasil até mesmo numa situação difícil comercialmente com outros países, principalmente na Europa, por exemplo”, disse.
Para o petista, o grande problema começou com o embate do presidente com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Especiais), ocasião em que Bolsonaro renegou os dados de pesquisa do Instituto e exonerou o então presidente Ricardo Galvão. “Nós ficamos muito assustados com a colocação do Bolsonaro contra o Inpe, que é um instituto destinado às pesquisas ambientais. Com essa postura é muito difícil que se chegue a uma boa posição para cuidar de um assunto como o meio ambiente no país e também no Amazonas”, disse, destacando a falta de políticas públicas ambientais nos municípios do Amazonas.
José Ricardo afirmou que o presidente deixou a pasta ambiental em uma posição delicada, a qual deve ser debatida também na Câmara dos Deputados.
