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Economia

Juros na Argentina chegam a 74% para conter disparada do dólar

12 de agosto de 2019 Economia
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Dólar disparou na Argentina e aumentou 30% (Foto: Fernanda Carvalho/ Fotos Públicas)

Por Sylvia Colombo, da Folhapress

BUENOS AIRES-ARGENTINA – O Banco Central argentino aumentou em 10 pontos percentuais a taxa de juros do país, para 74%, em uma tentativa de conter a alta do dólar, que disparou 30% na manhã desta segunda-feira, 12.

A alta do moeda veio na esteira da vitória da oposição nas eleições primárias desse domingo, 11, que surpreenderam o mercado financeiro por tornar difícil a reeleição de Mauricio Macri em outubro.

A chapa liderada por Alberto Fernández, que tem a ex-mandatária Cristina Kirchner como vice, venceu com larga vantagem a chapa do atual presidente e indica que pode haver mudança na política econômica do país. Por volta das 12h, a moeda norte-americana era vendida por 61 pesos, quando na sexta-feira, 9, o teto tinha sido de 46,55 pesos. Já a Bolsa argentina despencava cerca de 28%.

Com 58% das urnas apuradas, a dupla kirchnerista tinha 47% dos votos contra 32,6% da chapa de Macri. A tendência, segundo o órgão eleitoral, é que a diferença continue assim até o final da apuração.  

O mercado financeiro já esperava uma derrota de Macri, mas com uma diferença de apenas 9 pontos percentuais entre as chapas. A distância de cerca de 15 pontos percentuais nas primárias pode levar a eleição em primeiro turno de Fernández. Investidores, no entanto, esperavam dois turnos, com uma reeleição de Macri.

O dólar estava sendo mantido sem aumentos significativos nos últimos dois meses, por razões eleitorais. O governo vinha injetando fundos provenientes do empréstimo realizado ante o FMI (Fundo Monetário Internacional) para que a moeda não disparasse e isso ajudasse a reeleição de Macri.

O mandatário se reuniu na Casa Rosada com o presidente do Banco Central, Guido Sandleris, o ministro da Economia, Nicolás Dujovne, e o chefe de gabinete, Marcos Peña.

O opositor Fernández, em entrevista a uma rádio local, criticou Macri por, agora, não estar tomando medidas para conter o desabamento da economia – apenas, disse, “para dar a sensação de que, sem ele, a Argentina não pode ser governada”. “Deveria pensar mais no país do que em sua candidatura. Agora se vê num cenário ao qual não sabe como dar resposta”, afirmou Fernández.

No Brasil, importante parceiro econômico da Argentina, o mercado também opera em viés negativo com a vitória kirchnerista. O Ibovespa recua 2%, a 101.905 pontos. O dólar sobe 1,57%, a R$ 4, maior patamar desde maio.

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Assuntos argentina, Dólar
Cleber Oliveira 12 de agosto de 2019
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