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Política

Oposição une forças com centrais sindicais para barrar reforma da Previdência

9 de julho de 2019 Política
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Deputada Alice Portugal disse que oposição está conectada com os sindicatos (Foto: Agência Câmara)

Por Danielle Brant, da Folhapress

BRASÍLIA-DF – Para barrar a reforma da Previdência no plenário da Câmara dos Deputados, a oposição articula com centrais sindicais protestos na Casa como forma de pressionar parlamentares, enquanto contesta o apoio alardeado pelo governo e calcula haver, no máximo, 260 votos para aprovar o texto.

O governo precisa de pelo menos 308 votos a favor (três quintos) em dois turnos no plenário da Câmara para que a proposta siga para apreciação no Senado, onde terá que ser aprovada por, no mínimo, 49 senadores. Pelas contas do Planalto, pelo menos 330 deputados são favoráveis ao texto aprovado na comissão especial da Casa na madrugada de sexta, 5.

Nessa segunda, 8, a reportagem presenciou conversa entre representantes da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e integrantes do gabinete da liderança da minoria na Câmara para organizar protestos nesta terça-feira, 9, quando os deputados devem começar a apreciar o projeto. Faixas e adesivos foram confeccionados e serão distribuídos aos manifestantes, além de camisetas com frases contrárias às mudanças na aposentadoria.

A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), que participou de reunião de líderes da minoria da Câmara na tarde desta segunda, afirmou que a oposição está conectada com todas as centrais sindicais, com organizações de servidores públicos e confederações. “Os atos seguirão até sexta-feira. Tem ato a partir de amanhã nos aeroportos, a recepção aos parlamentares, e também a minoria e a oposição estão trabalhando com essa relação com movimentos sociais”.

Segundo ela, as centrais vêm participando das discussões e de reuniões todas as terças-feiras. “Na sua autonomia, organizaram esses atos em todo o Brasil”, disse. “Serão dias em que a Câmara será bastante visitada”.

Além dos protestos, os líderes da oposição conversaram sobre a estratégia para obstruir a reforma no plenário. Participaram parlamentares do PCdoB, PV, PSOL, PT e PDT.

A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), líder da minoria na Câmara, afirma que o governo não tem mais que 260 votos a favor do projeto aprovado na sexta. “Comissão é comissão, são nomes muito definidos e coisas muito contadas, e plenário é plenário. São quadros diferentes. E, na nossa avaliação, o governo Rodrigo Maia (DEM-RJ), apesar de estar contando vantagem, não tem mais de 260 votos”, afirmou Jandira. Segundo ela, foram mapeadas bancadas de partidos e a oposição tem uma posição favorável à não aprovação da reforma. 

Os parlamentares querem também alargar o cronograma de votação. “Quando nós tentamos garantir que R$ 84 bilhões ficassem nos cofres da Previdência, o governo tirou e deu para os empresários rurais”, disse, em referência ao restabelecimento, no texto, da isenção tributária sobre produção agrícola exportada.

O deputado José Guimarães (PT-CE) disse que há pelo menos 150 votos a favor. Ele prevê um quórum menor que o total de deputados, o que favoreceria a oposição. “Se nós já temos 150 na largada, estamos a passos largos para conseguir mais 50. Como na PEC não votam mais de 490, nós temos uma margem, diferentemente do que eles estão dizendo”, afirmou. “Se insistirem nesta semana, eles podem dar um tiro no pé. Não têm (os votos mínimos para aprovar)”.

Jandira afirma que há dissidências contra a reforma em todos os partidos do chamado centrão – grupo formado por PL, PP, PTB, PSD, SD e DEM.

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Assuntos reforma da previdência
Cleber Oliveira 9 de julho de 2019
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