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Dia a Dia

Falta de simpatia do governo pelo conhecimento é trágica, diz Delfim Netto

16 de junho de 2019 Dia a Dia
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Embrapa gerou uma revolução tecnológica na agricultura brasileira (Foto: Divulgação)
Da Folhapress

SÃO PAULO – A falta de apreço pelo conhecimento científico e as ações do atual Ministério da Educação estão entre os fatores mais trágicos do governo Bolsonaro, chegando a colocar em risco as possibilidades de crescimento econômico do país. A afirmação é do economista, ex-ministro da Fazenda e colunista da Folha de S.Paulo, Delfim Netto, que participou do debate de divulgação do seu livro “O Animal Econômico” nesta quarta-feira (12), na sede do jornal, na capital paulista.

“O investimento em conhecimento científico se paga com a maior tranquilidade. A coisa mais trágica desse governo é não entender que, sem esse tipo de conhecimento, não vamos a lugar nenhum”, declarou.

O setor tem sido um dos principais alvos de protestos ao governo após anúncios de redução de recursos para todas as etapas de ensino, da educação infantil à pós-graduação.

Como exemplo positivo de investimento em educação, Delfim citou a criação da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), em 1972, quando ainda era ministro da Fazenda. Segundo ele, foi um empreendimento de alto custo, que demandou o envio de dois mil técnicos brasileiros para fazerem especializações no exterior. Foi também um dos esforços mais rentáveis do Brasil, de acordo com o economista, pois gerou uma revolução tecnológica na agricultura brasileira que ajudou a transformar o país em um dos principais exportadores de produtos agrícolas no mundo.

O presidente do Insper, Marcos Lisboa, que também integrou o debate, estendeu sua crítica à ineficiência do investimento na educação para além do governo Bolsonaro. Segundo ele, apesar de o Brasil investir uma fatia significativa do PIB em educação, mais do que outros países, não houve modernização do ensino médio nem ganhos de qualidade em geral, gerando pouco impacto na produtividade e na redução da desigualdade no país.

Da plateia, um dos presentes perguntou a Delfim se, ao contrário do que defende em seu livro “Só o Político Pode Salvar o Economista”, no governo atual é o economista (no caso, o ministro da Economia, Paulo Guedes) quem dá as cartas para o político (o presidente Jair Bolsonaro). Delfim discordou da colocação. “O economista é o conselheiro do príncipe. Quem manda é o príncipe.”

Lisboa concordou que a economia é “serva da política”. “Discordo completamente que economistas mandam no governo Bolsonaro. É um momento de confusão, em que ninguém manda e não existe agenda, inclusive na economia.”

Para ele, o papel do economista na atual conjuntura é alertar sobre pautas importantes como a reforma da Previdência -que sozinha, destacou, não resolve o problema da economia-, mas também sobre os disparates, como a proposta de criação da moeda peso real.

O presidente do Insper elogiou o livro de Delfim e disse que muitos dos problemas atuais já estavam previstos nos artigos do economista, escritos ao longo de 33 anos como colunista da Folha de S.Paulo. “Se tivéssemos lido mais Delfim, talvez o país não estivesse onde está hoje”, concluiu.

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Assuntos Delfim Netto, Jair Bolsonaro
Redação 16 de junho de 2019
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