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Dia a Dia

CNBB mantém cúpula moderada e frustra corrente conservadora

8 de maio de 2019 Dia a Dia
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Nova cúpula da CNBB indica continuidade da atual gestão, mas é vista por conservadores como ‘esquerdizada’ (Foto: CNBB)
Por Joelmir Tavares, da Folhapress

SÃO PAULO – Concluída nesta terça-feira (7) com a escolha do secretário-geral, a eleição da diretoria da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) para o período 2019-2023 consolidou a vitória de um grupo moderado, que indica continuidade da atual gestão, mas visto por conservadores como “esquerdizado”.

Dom Joel Portella Amado, bispo auxiliar do Rio de Janeiro, exercerá a função de secretário, pela decisão de 301 bispos reunidos em Aparecida (SP). O cargo é importante porque seu ocupante é quem dita o ritmo no dia a dia da instituição, em contato com líderes da igreja em todo o país.

Na segunda (6) já haviam sido eleitos o presidente e seus dois vices, em um pleito que refletiu o clima de polarização no país. Havia a expectativa da ascensão de uma cúpula conservadora, em contraposição à atual, tida como progressista. O clima favorável à guinada, contudo, perdeu força.

O presidente será dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte, que é visto como moderado, assim como seus vices, dom Jaime Spengler (Porto Alegre) e Mário Antonio Silva (Roraima). A posse da nova diretoria será na sexta-feira (10), encerrando a 57ª assembleia da CNBB.

Os novos dirigentes assumem o poder em um momento de tensões com o governo Jair Bolsonaro (PSL). O Planalto incomodou a igreja, por exemplo, quando demonstrou preocupação com o Sínodo da Amazônia (encontro que será realizado em Roma para debater evangelização na região). No outro front, a CNBB tem feito críticas ao projeto de reforma da Previdência.

O resultado foi imediatamente criticado por conservadores católicos, que têm como principal porta-voz o youtuber paranaense Bernardo Küster, algoz da agremiação dos bispos nas redes sociais.

“A CNBB trocou seis por meia dúzia”, protestou Küster, que é simpático a Bolsonaro e incensado por grupos de direita. Na comparação feita por ele, “tiraram Lula e colocaram o Luiz Inácio da Silva”.

Seguidores lamentaram a derrota dos conservadores, tacharam dom Walmor de “politiqueiro petista” e o acusaram de promover a chamada “ideologia de gênero”.

De acordo com especialistas em religião ouvidos pela reportagem, a nomenclatura progressista, no caso da igreja, poderia ser comparada ao que se chama de centro no espectro político tradicional.

Os progressistas pregam uma atuação em consonância com as orientações do papa Francisco, que defende um clero mais próximo do povo e atento a problemas sociais.

Correntes conservadoras, por outro lado, acreditam em uma igreja mais fechada em si mesma, que priorize suas doutrinas e promova resgate de valores cristãos.

Considerados mais próximos à ala conservadora da CNBB, os arcebispos de São Paulo, dom Odilo Scherer, e do Rio de Janeiro, dom Orani Tempesta, surgiram na bolsa de apostas para a eleição, mas não foram bem-sucedidos.

Ambos eram tratados por observadores da sucessão como potenciais interlocutores com o governo, abrindo um canal de diálogo com o Planalto e com apoiadores de Bolsonaro que se voltam hoje contra a entidade.

Nesse contexto, a escolha de Joel Portella para a secretaria-geral tem sido interpretada como um indicativo de busca de interlocução na seara governista. Aliado de dom Orani, ele é caracterizado como articulador eficiente.

“A eleição dele pode ser uma tentativa de contrabalançar a atuação da nova diretoria”, afirma Rodrigo Coppe Caldeira, professor de ciências da religião na PUC Minas.

Para o historiador, mesmo que as divergências com o governo continuem sendo manifestadas, dificilmente a CNBB se colocará como clara antagonista de Bolsonaro. No primeiro discurso após ser eleito presidente, dom Walmor fez questão de dizer que trabalhará à margem de polarizações.

Pelo que conhece do novo presidente, que também é grão-chanceler (autoridade máxima) da PUC Minas, o professor diz acreditar que a entidade evitará embates. “Ele [Walmor] é mais dialógico.”

Baiano (ele é natural de Cocos), mas com atuação em Minas desde a juventude, o novo chefe da CNBB é “mineiro de comportamento”, na definição do padre Waldecir Gonzaga, diretor da Faculdade de Teologia da PUC Rio. “É tranquilo, equilibrado, ponderado.”

Gonzaga enxerga qualidades parecidas no futuro secretário-geral, que é professor na faculdade que ele dirige. “Dom Joel ajudará no diálogo com os governos e com a sociedade. Sabe como lidar com as diferentes esferas”, diz.

O bispo emérito (aposentado) dom Angélico Bernardino, atrelado à ala mais à esquerda, diz acreditar que a nova gestão fará “um trabalho em favor da comunhão e da união”.

“Não posso responder por possíveis insatisfeitos [com o resultado]. São bispos queridos, que estão aí na missão. Faço votos que apoiemos todos a nova direção da CNBB.”

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Assuntos CNBB, dom Jaime Spengle, dom Walmor Oliveira de Azevedo, Joel Portella Amado, Mário Antonio Silva
Redação 8 de maio de 2019
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