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Gastronomia

Alguém muito fã de x-caboquinho? Iguaria é a cara de Manaus

22 de abril de 2019 Gastronomia
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Fabiano Maisonnave comprou quadro do artista plástico amazonense Alberto Fermin em homenagem ao sanduíche que conheceu em Manaus (Foto: Acervo pessoal)

Por Michelle Portela, especial para o Amazonas Atual

O jornalista Fabiano Maisonnave, que chegou à Amazônia cinco anos atrás para cobrir grandes temas ambientais e de conflitos territoriais para jornais de circulação nacional e também para a mídia internacional, não espera finais de semana para procurar um X-Caboquinho para saciar a fome.

“Aqui estou por causa do X-Caboquinho. Morava perto de uma feira e ia lá comer duas vezes por dia: no café da manhã e no lanche da tarde”, diz o paranaense.

A iguaria é uma das mais pedidas em feiras e lanchonetes de Manaus e também de outras cidades do interior do Amazonas. O antropólogo Luciano Cardenes esteve sempre injuriado durante seu doutorado na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), sem conseguir oferecer o prato.

“Pelas longas horas de viagem, temia que os ingredientes estragassem. Então, precisei me contentar em descrever o x-caboquinho para todos os meus colegas”, conta.

Luciano faz uma viagem antropológica sobre o sanduíche mais tradicional para os amazonenses.

“Toda essa mistura é um patrimônio da nossa tecnologia alimentar. A goma é uma referência na nossa alimentação, um resíduo do tucupi que vira alimento. O queijo, se for o de Autazes, deixa o x-caboquinho ainda mais gostoso. E temos um terceiro ingrediente, a banana, que já parece ser mais uma contribuição da nossa ligação com os povos andinos, como os peruanos”.

Além disso, a produção da matéria-prima utilizada na produção do sanduíche chama a atenção do antropólogo.

“Quando eu penso em X-caboquinho, sempre penso em quem teria descascado o tucumã. Não tem como não lembrar que descascar tucumã, assim como ‘ticar’ jaraqui, é um talento manual desenvolvido aqui nessa terra. O caboco que é bom, ‘dos vera’, descasca com aquela faquinha bem afiada e tira delicadamente a casquinha sem levar a polpa”, reconhece.

O biólogo Jorge Calvimontes experimentou o sanduíche quando chegou de Lima, no Peru, para trabalhar em Tefé, no Amazonas. Circulou o mundo interior em busca de algo melhor, sem jamais encontrar. “É o melhor do mundo”, finaliza.

X-Caboquinho na sua forma original: pão com tucumã e banana frita. (Foto: ManausCult)

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Assuntos alimentação, Amazônia, x-caboquinho
Redação 22 de abril de 2019
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